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R$ 17 bilhões em empréstimos e delegacias em ruínas: realidade que atravessa os governos Wilson Lima e Roberto Cidade

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R$ 17 bilhões em empréstimos e delegacias em ruínas: realidade que atravessa os governos Wilson Lima e Roberto Cidade

Amazonas – Enquanto problemas estruturais e de efetivo eram registrados em delegacias do interior do Amazonas, o Governo do Estado avançava em uma sequência de operações de crédito autorizadas pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). Somente no segundo mandato de Wilson Lima, o volume acumulado dessas autorizações ultrapassou R$ 17 bilhões, considerando valores em reais e financiamentos contratados em moeda estrangeira.

Roberto Cidade (União Brasil), atual governador, ocupava a presidência da ALEAM durante esse ciclo de aprovações. Em novembro de 2023, por exemplo, uma sessão presidida por Cidade aprovou por unanimidade duas operações que somavam aproximadamente R$ 2,5 bilhões: R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil e US$ 200 milhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento. Naquele mesmo mês, a Assembleia já havia autorizado outros R$ 220 milhões em crédito.

Ao mesmo tempo em que bilhões de reais em novas operações passavam pelo Legislativo, fiscalizações realizadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) registravam dificuldades em unidades policiais do interior. Os documentos mostram situações que vão de deficiência de efetivo a problemas graves na estrutura física e nas condições de funcionamento de determinadas delegacias.

Um dos casos mais graves é o da 7ª Delegacia Interativa de Polícia de Eirunepé. Inspeções do MPAM encontraram infiltrações, mofo, goteiras, rachaduras, presença de insetos, problemas de higiene e risco de fuga. Em outra vistoria, foram relatadas ainda superlotação, deficiência de ventilação e iluminação e até risco de desabamento na unidade.

Os problemas continuaram em 2026. Em agosto, o MPAM informou que irregularidades estruturais e funcionais ainda persistiam na delegacia de Eirunepé, citando precariedade da estrutura física, problemas na carceragem e condições inadequadas para a custódia de presos. Meses antes, a Justiça havia autorizado a transferência de dezenas de custodiados da unidade para Manaus diante da situação encontrada.

Em Tefé, o Ministério Público chegou a ajuizar uma ação civil pública contra o Estado após constatar que a delegacia não funcionava ininterruptamente, principalmente em fins de semana e feriados. Segundo o MPAM, a unidade enfrentava problemas de estrutura e de pessoal e, no momento da atuação, contava com apenas três investigadores e dois escrivães.

Situação semelhante de falta de pessoal foi registrada em Atalaia do Norte. Em fiscalização realizada pelo MPAM, a delegacia apresentava escassez de contingente policial, limitações estruturais e não possuía delegado titular. O próprio Ministério Público recomendou melhorias e adequações na unidade.

Os documentos não estabelecem que os mais de R$ 17 bilhões em autorizações de crédito deveriam ter sido destinados exclusivamente à segurança pública, já que as operações envolviam diferentes programas e áreas do governo. O contraste documentado, porém, permanece: enquanto a ALEAM autorizava sucessivas operações bilionárias durante a gestão Wilson Lima, fiscalizações oficiais continuavam encontrando delegacias do interior com problemas de estrutura, pessoal e funcionamento — uma realidade que atravessou os últimos anos e chegou a 2026.


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