“O Amazonas não esqueceu”: Wilson Lima é derrotado nas urnas e perde a possibilidade de foro privilegiado
Amazonas — Com 76% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo, o cenário político do Amazonas consolidou a derrota de Wilson Lima na disputa por ao senado. O candidato está matematicamente derrotado, estagnando em 4º colocado na disputa às duas vagas ao senado, tendo apenas 10,96% dos votos válidos até agora, totalizando 320.931 votos até o momento, ficando atrás de Plínio Valério e Alberto Neto.
O revés nas urnas encerra um ciclo político iniciado em 2018 e impõe um novo horizonte processual ao ex-governador: a perda da prerrogativa de função, o foro especial por prerrogativa de foro (foro privilegiado), perante os tribunais superiores a partir do término de seu mandato.
O peso da pandemia na memória do eleitorado
Durante toda a campanha, os adversários exploraram o desgaste gerado pelos episódios críticos da gestão estadual durante a crise sanitária de covid-19. O colapso hospitalar e a falta de oxigênio medicinal no início de 2021, que colocaram o estado no centro do noticiário internacional, foram temas recorrentes no horário eleitoral e nos debates, servindo de mote para narrativas que ressaltavam a memória do período sob o lema “o Amazonas não esqueceu”.
Analistas políticos locais apontam que, embora o governo tenha buscado destacar entregas de obras e programas sociais nos anos subsequentes, a fatura política da crise sanitária permaneceu como um passivo eleitoral expressivo, sobretudo na capital e nos maiores colégios eleitorais do interior.
O destino dos processos e a questão do foro
Com o resultado desfavorável nas urnas e sem mandato a partir de [data do fim do mandato, ex.: 1º de janeiro de 2027], Lima deixa de ser julgado na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com a jurisprudência vigente do Supremo Tribunal Federal (STF), a prerrogativa de foro cessa com o fim do mandato eletivo, fazendo com que inquéritos e ações penais em andamento sejam redistribuídos para a primeira instância judicial, a Justiça Federal no Amazonas.
O histórico judicial referente à gestão na pandemia reúne diferentes etapas processuais:
Operação Sangria (2020–2021): O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o governador e outros 13 investigados por supostas irregularidades e sobrepreço na aquisição emergencial de respiradores pulmonares via empresa importadora de vinhos. A denúncia foi aceita pela Corte Especial do STJ em setembro de 2021, transformando-os em réus.
Rejeição de denúncia por peculato (2025): Em decisão colegiada, o STJ rejeitou, por maioria de votos, a imputação de peculato no episódio envolvendo os custos de transporte aéreo dos equipamentos, sob o entendimento de falta de comprovação de dolo ou desvio direto de recursos públicos pelo chefe do Executivo.
Recursos e tramitação recente (2026): Os autos relativos às demais imputações da operação permaneceram sob análise de recursos na Corte Especial, sob relatoria da ministra Nancy Andrighi. Com a transição do mandato, a continuidade dessas ações tende a ser remetida à 4ª Vara Federal de Manaus.




