Coelhos-robôs são usados para combater cobras gigantes na Flórida; veja vídeo
Mundo – Em uma tentativa inovadora de controlar a crescente população de cobras gigantes, pesquisadores na Flórida estão utilizando coelhos de pelúcia robotizados como isca para atrair pítons-birmanesas — uma espécie invasora que tem causado sérios danos ao ecossistema local, especialmente nos pântanos dos Everglades.
Esses coelhos-robôs, desenvolvidos por cientistas da Universidade da Flórida em parceria com o South Florida Water Management District, são equipados com motores, sensores de movimento e emissores de calor que imitam a temperatura corporal dos coelhos do pântano, uma das presas preferidas das pítons. A ideia é enganar os sentidos térmicos das serpentes, atraindo-as para armadilhas monitoradas por câmeras.
Robôs substituem coelhos vivos
A estratégia surge como alternativa ao uso de coelhos vivos, prática adotada anteriormente, mas considerada de difícil manutenção e logisticamente complexa. Com os robôs, a captura pode ser feita de maneira mais prática, segura e controlada, sem envolver sofrimento animal.
Os dispositivos, movidos a energia solar, ficam posicionados dentro de pequenas gaiolas em áreas estratégicas. Quando uma píton se aproxima, os sensores acionam alertas em tempo real para as equipes de monitoramento, possibilitando respostas rápidas.
Caso a eficácia da atual fase do experimento não seja suficiente, os cientistas planejam adicionar cheiros realistas de coelhos aos robôs, tornando-os ainda mais atrativos às serpentes.
Invasão silenciosa
Originárias do Sudeste Asiático, as pítons-birmanesas começaram a se multiplicar na Flórida a partir dos anos 1990, após escaparem de cativeiros ou serem soltas por criadores de animais exóticos. Com poucos predadores naturais na região, essas serpentes dominaram áreas inteiras, dizimando populações de mamíferos nativos como gambás, guaxinins e coelhos.
Desde 2019, o governo da Flórida já removeu cerca de 16 mil pítons, por meio de caçadores profissionais e competições abertas ao público, que oferecem prêmios em dinheiro para quem capturar mais exemplares.
Solução definitiva ainda é incerta
Apesar dos esforços, especialistas acreditam que a erradicação completa da espécie seja improvável. No entanto, ferramentas como os coelhos-robôs representam um avanço importante na contenção do problema e no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o controle de espécies invasoras.
“É uma batalha difícil, mas não podemos deixar de buscar soluções criativas e eficazes”, afirmou um dos biólogos envolvidos no projeto.
Com a ajuda da tecnologia, a Flórida segue tentando proteger seus ecossistemas da ameaça silenciosa das pítons gigantes — agora com a ajuda de pequenos e engenhosos coelhos eletrônicos.
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