Embaixador indicado ao Brasil renuncia a mandato na Flórida

Mundo — Confirmado pelo Senado dos Estados Unidos para chefiar a missão diplomática norte-americana no Brasil, o republicano Daniel Perez anunciou, na última sexta-feira (7 de agosto), sua renúncia ao mandato de deputado estadual na Flórida. A saída da legislatura local é uma consequência direta de sua nomeação feita pelo presidente Donald Trump, mas a posse efetiva no país sul-americano ainda esbarra em um atrito diplomático envolvendo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Daniel Perez, nomeado por Donald Trump e confirmado pelo Senado dos EUA, se despede do legislativo estadual em meio a impasses diplomáticos entre Washington e Brasília.
Embora a carta de renúncia já tenha sido entregue aos colegas parlamentares, a saída oficial de Perez só entrará em vigor no dia 21 de agosto. Em seu comunicado oficial, o deputado, que também atuava como presidente da Casa, explicou os próximos passos jurídicos e administrativos da transição e prestou juramento ao novo cargo previsto para o final deste mês.
Em tom de despedida, Perez expressou gratidão pelo período no legislativo:
“Servir nesta Câmara e atuar como seu Presidente foi a maior honra da minha vida. Percorremos juntos uma trajetória, por vezes empolgante e, por vezes, tumultuada. Ao relembrarem este mandato, espero que sintam, assim como eu, que agimos corretamente em relação a esta Câmara e ao povo da Flórida.”
Com a sua saída, a presidência da Câmara dos Representantes da Flórida passará interinamente para o presidente pro tempore, Duggan, em conformidade com as regras locais. A partir de 8 de setembro, a equipe do presidente designado Garrison assumirá o controle definitivo das operações.
Apesar de já estar com o aval do Senado norte-americano, Daniel Perez não pode assumir imediatamente suas funções em Brasília. Pelas regras da diplomacia, é necessário que o governo brasileiro conceda o chamado agrément, uma aprovação formal do Estado receptor.
O Palácio do Planalto, no entanto, não pretende rejeitar o nome de Perez, mas adotou uma estratégia de adiamento. O governo Lula decidiu que só concederá a autorização após o resultado do 2º turno das eleições brasileiras de outubro. A previsão anterior de Washington era de que o embaixador já estivesse atuando no Brasil antes do 1º turno.
A manobra do Planalto gerou forte insatisfação nos bastidores do lado norte-americano. Em uma rápida retaliação à demora brasileira, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, escalando o atrito entre as duas nações. A expectativa é que o impasse só seja solucionado a partir de novembro, quando o aval brasileiro deverá, enfim, ser oficializado.
O posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil encontra-se vago desde a partida de Elizabeth Bagley, que havia sido nomeada durante a gestão do democrata Joe Biden. Após a sua saída, a missão diplomática foi temporariamente chefiada por Gabriel Escobar até o início do mês de julho. No atual cenário de transição e espera diplomática, a embaixada estadunidense no Brasil é comandada interinamente pela diplomata Kim Kelly.

