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Na mira da Justiça: Flórida intima Anthony Fauci por lucrar com a pandemia

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Na mira da Justiça: Flórida intima Anthony Fauci por lucrar com a pandemia

Mundo – O governo da Flórida anunciou nesta quarta-feira (5) a intimação do médico Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid) e principal coordenador da resposta dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19. A medida investiga se o médico obteve ganhos financeiros pessoais e profissionais por meio das diretrizes sanitárias que emitiu durante a crise global.

Autopromoção e Recompensas Financeiras

A ofensiva jurídica é liderada pelo procurador-geral da Flórida, o republicano James Uthmeier. Segundo ele, embora autoridades possuam imunidade no exercício de suas funções, o suposto lucro pessoal de Fauci com as orientações pandêmicas pode configurar violação da legislação estadual.

Uthmeier baseia as acusações em trechos do diário de Fauci, recentemente divulgados pelo senador Rand Paul. De acordo com o procurador-geral, os registros indicam que o ex-diretor priorizou a autopromoção em detrimento de preocupações legítimas sobre a segurança das vacinas de mRNA.

Entre as vantagens detalhadas no diário e apontadas pelo governo da Flórida estão:

  • Um prêmio de aproximadamente US$ 900 mil concedido pela Fundação Dan David;

  • Subsídios de pesquisa do Niaid direcionados ao programa de Pesquisa Biomédica Scripps, na Universidade da Flórida;

  • Ofertas de cátedras, contratos para publicação de livros e cargos em conselhos;

  • Parcerias com fundações privadas concomitantes ao seu cargo federal.

“Enquanto Fauci buscava contratos de livros, prêmios, fortuna e fama, os habitantes da Flórida eram enganados e prejudicados por suas declarações”, declarou Uthmeier, que já havia anunciado a abertura da investigação na semana anterior.

Silêncio no Senado e Proteção Federal

A intimação ocorre em um momento de forte pressão política sobre o médico. Na semana passada, durante uma audiência no Senado americano, Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição, que garante o direito contra a autoincriminação — para se recusar a responder a mais de cem perguntas sobre a origem do coronavírus e suas decisões durante a pandemia.

Antes de se calar diante dos questionamentos, Fauci afirmou que os republicanos nutrem uma “óbvia obsessão” em tentar colocá-lo atrás das grades. Ele é frequentemente acusado pela oposição de ocultar dados sobre o surgimento da Covid-19 e de cometer erros graves na condução da crise sanitária.

Apesar da pressão, Fauci conta com um escudo em âmbito nacional: no final de sua gestão, o presidente democrata Joe Biden concedeu a ele um perdão presidencial preventivo contra eventuais acusações federais ligadas à pandemia.

Efeito Dominó nos Estados Republicanos

O perdão federal, no entanto, não blinda o ex-diretor do Niaid (cargo que ocupou de 1984 a 2022) contra processos nas esferas estaduais. Desde a polêmica audiência no Senado, uma onda de investigações começou a se formar.

A Flórida não está agindo sozinha. Procuradores-gerais republicanos de outros estados, como John McCuskey (Virgínia Ocidental) e Liz Murrill (Louisiana), também anunciaram intimações e medidas investigativas semelhantes. Até o momento, Anthony Fauci não se pronunciou publicamente sobre as intimações estaduais.


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