“Silêncio absurdo”: políticos aliados se calam após vereador Ronaldo Limão engravidar adolescente de 16 anos e forçá-la a abortar; veja vídeo

Amazonas– Mesmo após o grave escândalo político e criminal abalar o município de Presidente Figueiredo, no Amazonas, a base aliada do vereador Ronaldo Limão (PRD) mantém um silêncio ensurdecedor. O atual Presidente da Câmara Municipal é apontado como o centro de um esquema que envolve o estupro de uma adolescente de 16 anos, suborno, coação para aborto clandestino e ameaças com arma de fogo. Apesar da gravidade das denúncias e das provas que vieram a público, incluindo áudios, mensagens e documentos médicos, as figuras políticas mais próximas ao parlamentar optaram por ignorar o caso.
Com um mandato construído sob o lema de “Deus, família e amigos”, Limão formou uma rede de apoio influente na política amazonense, amplamente ostentada em suas próprias redes sociais. Em suas publicações, Limão chegou a celebrar ter sido eleito graças ao apoio direto do deputado estadual Felipe Souza, presidente estadual do PRD, em uma postagem de outubro de 2024. Os dois voltaram a se reunir com aliados em novembro de 2025 para tratar de ações para a cidade. Apesar de todo esse histórico, o líder do PRD permanece em silêncio absoluto.


A profunda proximidade com o deputado federal Saullo Vianna (MDB) também é fartamente documentada, com registros fotográficos de encontros políticos e parcerias em agosto de 2025 e janeiro de 2026. Além disso, Limão fez questão de registrar sua presença ao lado de Vianna no primeiro dia da 6ª edição do Fórum Estadual das Casas Legislativas do Amazonas (FECLAM). Na ocasião, o presidente da Câmara aproveitou para posar e celebrar o “fortalecimento do trabalho legislativo” ao lado de diversos vereadores, nominalmente citando Raimundinho Vidraceiro, Thales Pacheco, Areli Medeiros, Juliana Campos, Assis Arruda, Mariane Abreu, Marcos Nascimento e César Amaral. Com Thales Pacheco e Assis Arruda, inclusive, Limão compartilha registros adicionais de reuniões em gabinetes em Manaus e em agendas no INCRA, em Brasília. Diante do escândalo, no entanto, nenhum desses colegas de parlamento ou aliados federais se manifestou sobre os crimes.




O silêncio corporativista se estende a outras esferas do poder. O senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao Governo do Amaoznas, que posou abraçado a Limão durante uma visita do vereador em busca de investimentos para Presidente Figueiredo, optou por ignorar as denúncias. Nos bastidores, a ausência de posicionamento que mais chama atenção é a da deputada estadual Alessandra Campelo. Cotada como vice de Omar, a parlamentar tem como principal bandeira a proteção dos direitos das mulheres, mas até o momento não emitiu nenhuma nota de repúdio ou mesmo mobilização junto da Polícia Civl para resolução do caso, mesmo com as evidências mostrando terríveis violações sofridas pela jovem.


A mesma postura de omissão foi adotada pelo deputado estadual Mário César (UB), que anteriormente havia se reunido com Limão em Manaus para discutir estratégias para o município.

Para evitar a ruína de sua carreira, o presidente da Câmara autorizou a compra do silêncio da família com o objetivo principal de forçar a interrupção da gestação. Nas conversas interceptadas, o político declarou abertamente sua intenção de convencer a jovem e o irmão dela a realizarem o procedimento, afirmando estar disposto a gastar a quantia que fosse necessária. As provas mostram que o grupo operava com alta facilidade financeira, com capturas de tela exibindo contas bancárias superiores a R$ 16 mil e fotos de maços de dinheiro vivo. A própria adolescente chegou a registrar as notas de R$ 50 e R$ 100 que recebia para se manter escondida, enquanto Limão calculava os custos com total frieza em áudios enviados a comparsas.
A violenta pressão psicológica e financeira surtiu o efeito exigido pelo parlamentar. No dia 28 de novembro de 2025, a adolescente deu entrada na Maternidade Eleíta Almeida, em Presidente Figueiredo, classificada com risco amarelo por sangramento vaginal. O dossiê da denúncia inclui fotos chocantes dos restos biológicos do aborto clandestino registrados em um absorvente.

O que parecia resolvido para o vereador logo se transformou em revolta. Após passar pelo intenso trauma físico e psicológico do aborto, a adolescente foi completamente abandonada. O acordo criminoso foi quebrado quando o político deixou de cumprir as promessas financeiras, incluindo a regularização e a devolução de uma motocicleta da jovem que havia sido apreendida pela polícia. Sentindo-se enganada e descartada, a adolescente confrontou o vereador em mensagens diretas, ressaltando que já havia cumprido a sua parte da terrível negociação e que possuía fotos e exames para provar tudo.
A resposta do grupo político ao desespero da jovem assumiu métodos típicos de organizações criminosas. Para calar as cobranças, o assessor de Ronaldo Limão enviou a foto de uma pistola preta dentro de uma maleta, acompanhada de ameaças textuais. Somado à intimidação armada, a jovem passou a ser pressionada por advogados do parlamentar, em uma manobra clara e covarde para tentar acuá-la juridicamente. Diante da gravidade e da farta materialidade das provas expostas, a sociedade aguarda que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e a Polícia Civil investiguem de forma rigorosa os crimes de estupro de vulnerável, associação criminosa e aborto provocado por terceiros. A equipe de reportagem tentou contato reiteradas vezes com o vereador e sua assessoria, mas não obteve retorno, mantendo o espaço aberto para sua manifestação oficial.
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