‘Mano, eu engravidei a menina. Vou propor pra ela tirar’: conversas mostram desespero e crime do vereador Ronaldo Limão em Presidente Figueiredo; veja vídeo

Amazonas — Em sua biografia no Instagram, o vereador Ronaldo Limão, atual Presidente da Câmara Municipal de Presidente Figueiredo (CMPF) para o biênio 2025-2026, ostenta a frase: “Deus, família e amigos”. Nos bastidores, no entanto, um vasto vazamento de áudios, fotos, documentos médicos e capturas de tela revela uma face obscura e criminosa. O parlamentar é o centro de um escândalo gravíssimo envolvendo o estupro de vulnerável de uma adolescente de 16 anos, suborno, coação para aborto e ameaças armadas.
O caso, que começou a se desenhar no final de 2025, expõe a anatomia de um esquema de silenciamento financiado com dinheiro vivo para proteger o mandato e o casamento do político.
A Gravidez e Plano de Abafamento
O pesadelo da jovem começou a ser documentado em novembro de 2025. Um teste de farmácia apontou gravidez superior a três semanas. Logo em seguida, um exame laboratorial de Beta HCG, datado de 07 de novembro, confirmou o resultado positivo. A paciente: uma menor de 16 anos e 5 meses.
Ao descobrir a gravidez, Ronaldo Limão entrou em desespero e acionou um de seus assessores de confiança para conter a crise. Em mensagens enviadas via WhatsApp, o vereador confessa o ato e traça o plano de abafamento: “Mano eu engravidei uma menina preciso que você converse com o pai dela (…) vou dar um ponta pra eles ir até a poeira baixar”.

A preocupação de Limão não era com a saúde da adolescente, mas com a manutenção de seu poder e o temor de que a esposa descobrisse a traição. “Pessoal só quer um pretexto pra lhe tirar do cargo”, alerta o assessor, cobrando urgência. O vereador, encurralado pela própria família da vítima que ameaçava expor o caso, responde: “Fiquei com essa porra antes de nós viajar pro rio de janeiro (…) mãe dela tá me ligando aqui”.


O Pacto Macabro: Aborto e Dinheiro Vivo
Para evitar a ruína política, o presidente da CMPF autorizou seu intermediário a comprar o silêncio da família. O objetivo principal, revelado textualmente pelo político, era forçar a interrupção da gestação: “Vou conversar com ela mesmo pra propor pra ela tirar. Vou conversar com o irmão dela pra converse ela a fazer isso. Nem que nós gaste um dinheiro a mais”.

As provas mostram que o grupo operava com facilidade financeira. Uma captura de tela exibe a conta bancária do Bradesco de um dos envolvidos com saldo superior a R$ 16 mil, ladeada por maços de dinheiro em espécie presos por elástico. A adolescente chegou a tirar “selfies” ostentando as notas de R$ 50 e R$ 100 que recebia para se manter “guardada” em casa.


Em áudios, Ronaldo Limão calcula os gastos com a vítima como se tratasse de uma planilha de campanha: “Eu pago os duzentos e pouco da moto e ainda sobra ainda cento e pouco ainda. Tá entendendo? Pra ti comprar as frutinhas pra ti”. Em outra gravação, a jovem relata idas ao supermercado: “Foi 300 reais já só de compra (…) Tudo caro, sobrou só 50 reais, olha”.
A coação surtiu o efeito desejado pelo parlamentar. No dia 28 de novembro de 2025, a adolescente deu entrada na Maternidade Eleíta Almeida, em Presidente Figueiredo, classificada com risco amarelo por “sangramento vaginal”. Fotos chocantes, que compõem o dossiê da denúncia, mostram os restos biológicos do aborto clandestino em um absorvente.

Intimidação
O que parecia resolvido para o vereador, logo se transformou em revolta. Após passar pelo trauma do aborto, a adolescente foi abandonada e viu o “acordo” de silêncio ser quebrado. O político não cumpriu as promessas financeiras, incluindo a regularização e devolução de uma motocicleta da jovem que havia sido apreendida pela polícia.
Em mensagens diretas, a adolescente confronta o vereador, cobrando o que foi prometido: “O combinado não era eu aborta, q tu me dava o dinheiro e nós ficava de boa ninguém mais nem falava isso”. Ela ressalta que cumpriu sua parte do pacto macabro: “Não tô com porra nenhuma mais dentro de mim não, entendeu? Tenho foto, tenho exame, eu tenho tudo”.
A resposta do grupo político ao desespero da jovem foi a intimidação clássica do crime organizado. Para calar as cobranças, o assessor de Ronaldo Limão enviou a foto de uma pistola preta dentro de uma maleta, acompanhada da frase: “Mano vou dar um jeito”. Além da ameaça armada, a jovem passou a ser pressionada por advogados do parlamentar, em uma tentativa de acuá-la juridicamente.

Agora, as autoridades competentes, incluindo o Ministério Público do Amazonas, devem ser acionadas para investigar os crimes de estupro de vulnerável, associação criminosa e aborto provocado por terceiros.
O outro lado
A equipe de reportagem do Portal CM7 Brasil tentou contato com o vereador Ronaldo Limão e sua equipe de assessoria para solicitar um posicionamento oficial sobre as graves denúncias apresentadas, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto caso o parlamentar ou sua defesa queiram apresentar sua versão dos fatos.








