Inquérito de Ronaldo Limão, vereador acusado de engravidar jovem de 16 anos e pagar por aborto, é arquivado por “falta de provas”

Amazonas – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) determinou o arquivamento do inquérito policial que investigava o vereador Ronaldo Limão (PRD), atual presidente da Câmara Municipal de Presidente Figueiredo, pela suspeita de exploração sexual contra uma adolescente de 16 anos. A decisão oficial fundamentou-se na ausência de elementos probatórios concretos. O desfecho jurídico, no entanto, contrasta com uma série de vazamentos recentes na imprensa que expõem um suposto esquema de suborno, coação e aborto clandestino envolvendo o parlamentar.
O fundamento jurídico para o arquivamento
O processo investigatório teve origem em um Boletim de Ocorrência registrado em 11 de novembro de 2025 no 37º Distrito Integrado de Polícia. O registro foi motivado por uma denúncia anônima indicando que o vereador teria relações com a menor, realizaria pagamentos a ela e que a jovem estaria grávida de dois meses.
Ao analisar os autos, a Promotoria de Justiça da Comarca de Presidente Figueiredo concluiu que a investigação não produziu laudos, documentos ou registros financeiros capazes de atestar a materialidade do crime. Além da ausência de provas técnicas, a suposta vítima, ouvida em depoimento especial, negou a ocorrência dos fatos. O investigado também rechaçou as acusações perante a autoridade policial. Diante do cenário, o MPAM determinou o arquivamento do feito por falta de “justa causa” para a deflagração de uma ação penal, ressaltando que as investigações podem ser reabertas caso surjam novas provas.
O contraste com as denúncias vazadas
Paralelamente à decisão judicial, reportagens veiculadas na última semana trouxeram a público um extenso dossiê que contradiz a versão oficial do inquérito. Materiais compostos por áudios, capturas de tela e documentos médicos sugerem que a adolescente efetivamente engravidou em novembro de 2025.
De acordo com o material vazado, o vereador teria confessado o ato a interlocutores e mobilizado assessores para comprar o silêncio da família da jovem. O objetivo central da operação seria forçar a interrupção da gestação para preservar o mandato político de Limão e seu casamento. Mensagens interceptadas revelam tratativas envolvendo repasses de dinheiro em espécie e pagamentos de despesas pessoais da menor.
As denúncias apontam ainda que a adolescente deu entrada na Maternidade Eleíta Almeida no final de novembro com quadro de sangramento vaginal, ocasião que teria gerado registros fotográficos de um aborto. O suposto pacto de silêncio teria sido rompido após o parlamentar descumprir acordos financeiros, incluindo a devolução de uma motocicleta. Ao passar a cobrar o vereador, a jovem teria se tornado alvo de intimidações, recebendo, inclusive, a fotografia de uma arma de fogo enviada por um assessor do político.
O silêncio da base aliada
O caso também lançou luz sobre a rede de proteção e influência ao redor do vereador, descrito nos bastidores como um parlamentar amplamente apadrinhado. Apesar da gravidade das denúncias e da exposição de áudios e imagens na imprensa, figuras proeminentes do cenário político amazonense, incluindo deputados e líderes partidários que frequentemente dividem agendas com Ronaldo Limão, optaram por um silêncio institucional absoluto. A ausência de manifestações ou notas de repúdio por parte da classe política reforça o clima de omissão diante de acusações que envolvem estupro de vulnerável, associação criminosa e coerção.
A defesa do vereador Ronaldo Limão e a sua assessoria não se pronunciaram oficialmente sobre os vazamentos até o momento. O Ministério Público, por sua vez, aguarda a formalização dessas novas evidências para avaliar um eventual desarquivamento do inquérito policial.




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