Roberto Cidade, Wilson Lima e Brena Dianná montam circo político em Parintins e fazem eleitores lembrarem do escândalo do “QG do Crime”
Amazonas – O circo político chegou a Parintins neste domingo (20). O governador e candidato à reeleição Roberto Cidade, o ex-governador e candidato ao Senado Wilson Lima e a deputada estadual e candidata à reeleição Brena Dianná estiveram juntos em uma agenda de campanha marcada por jatinho particular, lancha e uma chegada cuidadosamente preparada para as câmeras.
Roberto Cidade desembarcou de jatinho e, em seguida, foi até o porto, onde embarcou em uma lancha para chegar pelo rio, na região do Mercado Municipal. A encenação virou imagem de campanha justamente na cidade onde o grupo político que hoje volta a pedir votos carrega uma história que ainda está viva na memória de muita gente. E não é pouca coisa.
Roberto Cidade e os contratos da própria família
Enquanto tenta vender em Parintins a imagem de candidato que representa mudança, Roberto Cidade continua tendo que explicar a permanência de contratos milionários de empresas ligadas à própria família dentro da estrutura estadual. Um dos casos mais recentes envolve a RR Serviços de Transporte e Navegação Ltda., que tem como sócios seus irmãos.
O contrato da empresa com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) permaneceu ativo durante o atual governo e recebeu reajuste de 4,68%, elevando o valor global para R$ 7,916 milhões, cerca de R$ 659,7 mil por mês. O detalhe que colocou ainda mais pressão sobre o governador é que o próprio Cidade havia afirmado que determinara o encerramento dos contratos estaduais envolvendo empresas de familiares. Em sabatina realizada no dia 16 de setembro, porém, disse desconhecer os detalhes da permanência do contrato e afirmou que precisaria verificar a situação.
O “QG do Crime” e a campanha de Brena
A presença dos três em Parintins também trouxe de volta um episódio que marcou a eleição municipal de 2024: o chamado “QG do Crime”.
Naquele ano, Brena Dianná disputava a Prefeitura de Parintins contra Mateus Assayag. Um vídeo de uma reunião realizada na casa da prima de Roberto Cidade, envolvendo secretários estaduais da gestão Wilson Lima e policiais militares, veio a público e provocou uma investigação do Ministério Público do Amazonas.

Segundo o MPAM, a reunião envolvia a discussão de ações que poderiam utilizar o aparato de segurança pública e a estrutura do Estado para intimidar apoiadores de Mateus Assayag e beneficiar diretamente a candidatura de Brena Dianná. O órgão investigou suspeitas de desvio de finalidade, excesso de poder, dano ao erário e improbidade administrativa.
O caso ficou ainda mais explosivo diante das denúncias de possível uso da máquina pública para interferir na eleição, incluindo suspeitas de coação de eleitores e utilização da Polícia Militar para dificultar a atuação de pessoas ligadas à candidatura adversária.
Foi nesse ambiente que Brena disputou a Prefeitura. Agora, dois anos depois, ela voltou a Parintins ao lado dos mesmos grupos políticos que estavam envolvidos naquela disputa.
Wilson Lima e uma conta que não desapareceu
Se a passagem por Parintins serviu para produzir imagens de campanha, também serviu para ressuscitar as lembranças da gestão de Wilson Lima.
O ex-governador deixou o cargo neste ano para disputar o Senado, mas sua passagem pelo Governo do Amazonas continua sendo cobrada, principalmente pela condução do Estado durante a pandemia de Covid-19 e pela crise de oxigênio que atingiu Manaus em janeiro de 2021.
Para muitos eleitores e críticos, aquele período ainda pesa na avaliação política de Wilson. Os escândalos e as controvérsias de sua gestão continuam sendo lembrados justamente agora que ele tenta voltar ao centro da política estadual por meio de uma vaga no Senado.
Nas redes sociais, um internauta resumiu essa rejeição de maneira provocativa: “Ele deveria desistir da política e virar cantor de boteco.”
Em Parintins, o jatinho chegou, a lancha entrou em cena e o palanque foi montado. Mas, junto com o espetáculo, também voltou a memória de uma eleição marcada por denúncias de uso da estrutura pública para favorecer uma candidata.
O circo foi montado. Mas Parintins já conhece os personagens.
Veja vídeo:



