“MPE aperta o cerco”: presidente da Aadesam pode ser afastado em meio a investigação envolvendo favorecimento a Roberto Cidade
Manaus – O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) o afastamento cautelar de William Alexandre Silva de Abreu, presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam). Segundo o órgão, a agência não teria comprovado o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à reintegração de trabalhadores, desligamentos e contratações.
O pedido foi apresentado na sexta-feira (18), dentro de um processo que apura possível abuso de poder político e de autoridade durante as Eleições 2026. A decisão sobre o afastamento cabe ao TRE-AM.
A medida ocorre no contexto da investigação que levou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão na Aadesam em 3 de setembro. A apuração busca verificar possíveis irregularidades relacionadas ao uso da estrutura do Governo do Amazonas em benefício eleitoral. O governador Roberto Cidade (União Brasil), o vice-governador Serafim Corrêa e William Abreu são citados no procedimento investigativo.
MPE aponta possível descumprimento
Segundo a manifestação do Ministério Público Eleitoral, uma decisão liminar de 27 de agosto determinou, entre outras medidas, a reintegração de trabalhadores atingidos por determinados desligamentos, o restabelecimento de salários, benefícios e vínculos previdenciários e a suspensão de contratações realizadas a partir de 1º de julho.
A Justiça Eleitoral também proibiu novas dispensas de empregados vinculados aos projetos executados pela Aadesam até a posse dos eleitos, ressalvadas as exceções previstas na própria decisão. O prazo estabelecido para o cumprimento das determinações foi de 48 horas.
Na manifestação apresentada ao TRE-AM, o MPE afirma que, até 18 de setembro, haviam transcorrido mais de 20 dias desde a decisão sem que a Aadesam apresentasse nos autos documentos que comprovassem o cumprimento integral das medidas.
Entre os pontos citados pelo órgão estão a falta de comprovação da reintegração dos trabalhadores, do restabelecimento de salários, benefícios e vínculos previdenciários e da suspensão das contratações relacionadas ao Edital nº 004/2026/CPSS/AADESAM. O MPE também apontou a ausência de comprovação da divulgação da decisão na sede da agência e no Diário Oficial do Estado.
Pedido de afastamento e multa
Diante do que considera descumprimento da ordem judicial, o Ministério Público Eleitoral pediu que William Abreu seja intimado pessoalmente para comprovar, no prazo de 24 horas, o cumprimento integral da decisão.O órgão também solicitou o reconhecimento do descumprimento e a aplicação de multa de R$ 100 mil por ato, atribuída pessoalmente ao dirigente.
Veja documento:
Caso a situação persista, o MPE pediu ainda o aumento da penalidade ou a transformação da multa em valor diário.
No pedido, o Ministério Público também requer o afastamento cautelar de William Abreu da presidência da Aadesam até a posse dos eleitos, sob o argumento de que a permanência no cargo poderia dificultar o cumprimento das determinações judiciais.
Caso o afastamento seja concedido, a agência deverá indicar, em até 24 horas, um substituto sem vínculo político-partidário com o candidato citado no processo.Até o momento, o documento analisado registra o pedido do Ministério Público Eleitoral. Não há decisão do TRE-AM determinando o afastamento de William Abreu.
Investigação envolvendo a Aadesam
A solicitação do MPE ocorre após uma série de medidas judiciais envolvendo a Aadesam. Antes da operação da Polícia Federal, a Justiça Eleitoral já havia determinado que a agência preservasse documentos relacionados a admissões e desligamentos de servidores realizados a partir de 1º de julho de 2026, também foi suspensa a transferência de trabalhadores de Manaus para municípios do interior.
A investigação busca esclarecer se as movimentações de pessoal realizadas pela agência tiveram alguma relação com o período eleitoral e se poderiam configurar abuso de poder político ou econômico.Em agosto, a Justiça Eleitoral havia determinado a reintegração de 469 trabalhadores e proibido novas dispensas de empregados vinculados aos projetos da Aadesam até a posse dos eleitos.
Na operação realizada em setembro, a Polícia Federal também relatou ter encontrado um notebook na antessala da Presidência, apesar de funcionários terem informado inicialmente que não havia outros equipamentos no local. Um computador relacionado ao setor de Recursos Humanos também foi apresentado aos investigadores como estando “corrompido” e acabou apreendido para perícia.
O caso permanece em investigação na Justiça Eleitoral, e as alegações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pelo TRE-AM.



