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Ex-baterista do Angra, Marco Antunes faz ataques misóginos contra a deputada Duda Campopiano por ela usar camisa da banda

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Ex-baterista do Angra, Marco Antunes faz ataques misóginos contra a deputada Duda Campopiano por ela usar camisa da banda

Brasil – A intersecção entre a intolerância política e o cenário do heavy metal nacional gerou um novo e lamentável episódio de hostilidade nas redes sociais nesta terça-feira (6/10). A deputada estadual recém-eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano (PL-SP), conhecida como Duda Campopiano, tornou-se alvo de ofensas baixas e agressivas desferidas pelo ex-baterista da banda Angra, Marco Antunes. O estopim para os ataques foi uma fotografia, originalmente publicada em abril, que voltou a circular e mostra a parlamentar conservadora vestindo uma camiseta do influente grupo de metal brasileiro.

Antunes, que integrou a formação inicial do Angra entre 1991 e 1993 e hoje adota o nome artístico Marco Leão Sol, reagiu à imagem com uma fúria desproporcional. Evidenciando a forte polarização política e a incapacidade de conviver com o contraditório — contrastando o alinhamento de direita de Duda com a postura do músico, abertamente associado à esquerda e ao PT, Antunes agiu como se fosse “dono” da marca e do público da banda.

O tom da cobrança rapidamente abandonou qualquer verniz de civilidade para se tornar um ataque virulento e pessoal. Na mensagem original, que foi posteriormente apagada de seu Instagram (numa clássica atitude de quem não sustenta a própria agressividade), o ex-baterista disparou o seguinte texto contra a deputada:

“Tira essa camiseta, fascistinha de merda, demônio precoce. Como cofundador e anjo brabo precoce, te declaro excomungada. É vá pro raio que a parta, psicopatinha de & kkkkk É cada coisa que a gente gostaria de ‘desver’.”

O linguajar utilizado por Antunes escancara uma postura não apenas de intolerância política, mas permeada por um tom de misoginia. O uso de diminutivos pejorativos (“fascistinha”, “psicopatinha”) e xingamentos histriônicos contra uma figura feminina no ambiente político gerou fortes reações. A agressividade evidencia uma tentativa de silenciar e intimidar a parlamentar pelo simples fato de ela consumir e vestir a camisa de uma banda de rock, um gênero historicamente marcado pela liberdade.

Após deletar a publicação inicial diante da repercussão negativa, Antunes não teve a humildade de se retratar. Ele voltou às redes com uma nova postagem contendo apenas a palavra “credo” e a legenda irônica: “Entendedores entenderão”.

A falsa citação de Kiko Loureiro

O episódio ganhou contornos de desinformação quando uma imagem manipulada começou a circular nas redes sociais. Um suposto comentário contendo a palavra “credo” foi falsamente atribuído ao renomado guitarrista Kiko Loureiro, membro da formação histórica e de maior sucesso do Angra, dando a entender que ele estaria endossando o ataque de Antunes.

Kiko Loureiro, contudo, veio a público rapidamente para desmentir categoricamente a autoria do comentário, afastando-se da postura vergonhosa do ex-colega de banda. O músico esclareceu que só tomou conhecimento da confusão após ser alertado por terceiros.

“Eu nunca escrevi nenhum comentário aqui, eu nem sabia da existência dessa candidata até ontem. Comentário nunca existiu”, cravou Loureiro, colocando um ponto final na tentativa de associá-lo ao ataque.

O caso ilustra como o clima de animosidade política no Brasil continua a transbordar para a esfera cultural, onde “fiscais da arte” tentam patrulhar quem pode ou não consumir determinadas obras. Até o momento, o Angra, como instituição, e seus membros atuais não emitiram qualquer declaração oficial sobre o ocorrido, isolando o episódio como uma reação estritamente pessoal, autoritária e controversa de seu ex-integrante.


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