Escândalo na Saúde: servidora expõe pressão por “fura-fila” para beneficiar grupo político de Roberto Cidade
Amazonas – Uma denúncia apresentada por uma servidora da rede estadual de Saúde do Amazonas levanta suspeitas de possível interferência política na fila de regulação do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), utilizado para organizar o acesso da população a consultas, exames e procedimentos.
Segundo o relato, pedidos para acelerar o atendimento de determinados pacientes teriam chegado por meio de ligações telefônicas e mensagens de WhatsApp.
A servidora afirma que algumas dessas solicitações eram apresentadas como demandas relacionadas ao governador Roberto Cidade, à primeira-dama Thaísa Cidade e à Casa Civil.
De acordo com a denúncia, pacientes que ainda estavam distantes de serem chamados pelo fluxo normal teriam recebido autorização em curto período. A servidora relata que as solicitações eram tratadas internamente como casos que deveriam ser atendidos com prioridade.
O caso também envolve acusações de pressão sobre funcionários. Conforme o relato, servidores que demonstrassem resistência às supostas determinações poderiam sofrer ameaças de transferência, punição ou até exoneração.

Prints e planilhas são citados como provas
Como parte do material encaminhado para análise, a servidora apresentou conversas, documentos e planilhas que, segundo ela, registrariam solicitações relacionadas às supostas prioridades.
Entre as expressões mencionadas no material estão “DAMA-CASA CIVIL”, “SOL DAMA” e “AUTORIZADOS CASA CIVIL DIA 21/09/2026”.
A denúncia questiona ainda a diferença entre o tempo de espera de pacientes que seguem os critérios regulares de regulação e daqueles que, conforme o relato, teriam sido beneficiados por pedidos externos.
Entre os pacientes citados estariam pessoas que aguardam atendimento relacionado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a servidora, alguns usuários permanecem meses ou até anos na fila enquanto determinados pedidos teriam sido liberados em poucos dias.

Caso foi levado ao Ministério Público Federal
O material foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá analisar os documentos e verificar a procedência das acusações.
A investigação deverá esclarecer quem realizou as solicitações, se houve orientação para alterar a ordem de atendimento e se os procedimentos adotados respeitaram os critérios técnicos estabelecidos para a regulação do sistema público de saúde.
Até o momento, as acusações não representam uma conclusão sobre a existência de irregularidades ou sobre eventual participação direta de Roberto Cidade, Thaísa Cidade ou integrantes da Casa Civil.
O conteúdo apresentado pela servidora ainda precisa ser analisado pelas autoridades, inclusive quanto à autenticidade das mensagens, documentos e planilhas. Os citados também têm direito de apresentar esclarecimentos sobre as acusações.



