Escândalo: clínica que pertence a Maria do Carmo é acusada de aplicar vacinas vencidas em recém-nascidos; veja vídeo
Manaus — Um escândalo de negligência médica e saúde vem à tona envolvendo a clínica de alto padrão Vacinar Centro de Vacinação Ltda, localizada no conjunto Vieiralves, zona Centro-Sul de Manaus. Mais de 400 páginas de processos judiciais revelam acusações gravíssimas de que o estabelecimento aplicou vacinas vencidas e administrou imunizantes de forma errada em bebês. O agravante que torna o caso um escândalo político: a clínica pertence à Professora Maria do Carmo Seffair (PL-AM), atual candidata ao governo do Amazonas.
As denúncias, que servem de alerta de utilidade pública para pais e mães de toda a cidade, detalham um verdadeiro descaso com a vida infantil. Em um dos casos registrados na Justiça do Amazonas, uma criança de apenas sete dias de vida foi vítima de erro na aplicação das vacinas BCG e Hepatite B, em dezembro de 2021. Imagens anexadas aos autos mostram o recém-nascido com uma lesão de 2 centímetros e roupas manchadas de sangue e secreção poucos dias após a injeção.

O sofrimento da família é evidenciado em trocas de mensagens com o atendimento da clínica. A mãe relata que pagou pelo serviço particular justamente para evitar mau atendimento, mas a vacina mal aplicada não cicatrizava, inflamando repetidas vezes. O erro foi tão grave que o bebê precisou ser submetido a um tratamento com remédios para tuberculose. Para abafar o caso e fazer a família desistir do processo, a clínica firmou um acordo de apenas R$ 5.200.
A negligência, contudo, não foi um fato isolado. Em uma segunda ação judicial, a mesma clínica Vacinar é acusada de aplicar vacinas com o prazo de validade vencido em um bebê de apenas um ano e três meses de idade. Mais uma vez, a empresa optou por silenciar a vítima com um acordo financeiro, desta vez no valor de R$ 12 mil.
Contradição e palanque político
A gravidade das acusações ganha contornos de hipocrisia diante das recentes declarações de Maria do Carmo Seffair. Durante o debate “NC Eleições”, a candidata utilizou seu tempo de fala para se vangloriar de sua atuação na área da saúde. “Eu trabalho com vacinação, e eu sou uma dona de uma clínica de vacinação, amplamente a favor de que se faça a cobertura vacinal em todo o interior”, declarou a empresária ao vivo.
Documentos oficiais da Receita Federal comprovam que Maria do Carmo é a sócia-administradora da Vacinar, empresa aberta no ano 2000 e que possui um capital social de R$ 7,6 milhões.
O contraste entre o discurso de palanque e a realidade dos tribunais levanta um questionamento inevitável para os eleitores amazonenses: se a candidata não consegue garantir sequer a segurança e a vida de recém-nascidos que pagam caro pelos serviços dentro de sua própria clínica particular, que garantias ela pode oferecer para cuidar da saúde pública de todo o povo do Amazonas?
O caso agora clama por uma intervenção rigorosa e fiscalização imediata por parte da Vigilância Sanitária e da Polícia Civil, antes que novas tragédias aconteçam.




