Em carta ao STF, pai de Vorcaro nega acusações da PF e pede revogação de prisão; veja na íntegra
Brasil – O empresário Henrique Vorcaro, que cumpre prisão preventiva há cerca de quatro meses no Complexo Penitenciário Nelson Hungria (MG), enviou uma carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma nova tentativa de reverter sua detenção. O documento, endereçado diretamente ao ministro André Mendonça e com cópia aos demais magistrados da Corte, traz um apelo do investigado, que nega veementemente qualquer participação em atividades ilícitas.
Preso há quatro meses em Minas Gerais, o pai do dono do Banco Master classifica as investigações como “fantasiosas”, justifica mensagens interceptadas e tenta desvincular seus negócios dos do filho.
Logo na abertura da correspondência, Vorcaro adota um tom de juramento: “Eu, Henrique Moura Vorcaro, declaro falar a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus e da justiça, sob pena de perjúrio”.
O empresário é alvo de investigações da Polícia Federal (PF), que o aponta como suposto “mandante” ou “chefe” de um núcleo violento focado na intimidação de adversários. Na carta, no entanto, ele rebate frontalmente as conclusões dos investigadores, classificando-as como um “absurdo completo” e uma narrativa “fantasiosa”.
Segundo Vorcaro, suas atividades resumem-se à condução de “negócios comerciais de empreendimentos que são honestos”.
Mensagens descontextualizadas
A principal argumentação de Henrique Vorcaro é de que a PF teria feito uma interpretação distorcida de conversas por aplicativo de mensagens. Segundo o empresário, os diálogos interceptados referem-se estritamente a negócios comerciais e imobiliários legítimos, mantidos há mais de cinco anos em regiões como Campo Grande (RJ) e no eixo Lagoa/Nova Lima (MG).
Ele justifica que expressões como “pagar turma” — que levantaram suspeitas dos investigadores — eram apenas retóricas de cobrança comercial mais incisivas. Vorcaro alega que parceiros de negócios, citados nominalmente como “Sr. Phillipi”, “Sr. Manolo” e “Sr. Marilson”, utilizavam esses termos em momentos em que estavam “aflitos financeiramente”, como forma de pressionar pela antecipação de recebimentos, sem qualquer ligação com milícias, facções ou práticas criminosas.
Distanciamento do Banco Master
Outro ponto de destaque no documento é o esforço de Henrique Vorcaro para isolar a figura do filho, Daniel Vorcaro, atual dono do Banco Master. O empresário faz questão de estabelecer uma fronteira clara entre suas atividades particulares e a instituição financeira.
Embora ressalte o afeto paternal e lembre que Daniel trabalhou ao seu lado dos 15 aos 33 anos, Henrique frisa que o filho optou por seguir “voo solo” em sua carreira e que, desde então, sempre manteve o pai afastado das operações e decisões ligadas à gestão do banco.



