MC Ryan permanece na Sede da PF enquanto Dono da Choquei e MC Poze são transferidos para presídios

Brasil — A Justiça Federal manteve a prisão temporária de MC Ryan SP e de outros 32 investigados na Operação Narco Fluxo após as audiências de custódia realizadas na quinta-feira (16/4). Enquanto isso, o funkeiro continua detido na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo neste sábado (18/4), conforme confirmado por sua defesa.
O cantor Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, foi um dos principais alvos da megaoperação deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (15/4). A ação, que mobilizou mais de 200 agentes, cumpriu dezenas de mandados de prisão temporária e busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas.
Além de MC Ryan, foram presos o funkeiro MC Poze do Rodo (Marlon Brendon Coelho Couto Silva) e o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. Na sexta-feira (17/4), Raphael foi transferido para o Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia (GO). MC Poze do Rodo foi levado da sede da PF no Rio de Janeiro para o presídio de Bangu 1, no Complexo de Gericinó.
A defesa de MC Ryan, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, confirmou que o artista segue na superintendência da PF em São Paulo. Até o momento, não há informação oficial sobre uma possível transferência para um presídio comum.
MC Ryan apontado como principal beneficiário do esquema
De acordo com as investigações da PF, MC Ryan seria o principal beneficiário da organização criminosa. Ele teria utilizado sua carreira musical, empresas do ramo do funk e sua grande visibilidade nas redes sociais para misturar receitas legítimas com recursos oriundos de atividades ilícitas, como apostas ilegais (bets) e rifas digitais clandestinas.
As autoridades apontam ainda uma ligação estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O funkeiro teria transferido participações societárias para “laranjas”, inclusive familiares, com o objetivo de ocultar seu patrimônio real. Após o processo de lavagem, o dinheiro seria reinvestido na economia formal por meio da compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros bens de valor elevado.
A Polícia Federal também suspeita que o artista contratava operadores de mídia para publicar conteúdos positivos sobre sua imagem e promover suas plataformas de apostas, visando amenizar eventuais danos à reputação causados pelas investigações.
Detalhes da Operação Narco Fluxo
A operação, autorizada pela 5ª Vara Federal de Santos, envolveu o cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. Os crimes investigados incluem associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A PF estima que o grupo criminoso movimentou valores que podem ultrapassar R$ 260 bilhões, incluindo lucros oriundos do tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, além de recursos de apostas e rifas ilegais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de MC Ryan e impôs medidas de constrição patrimonial sobre 77 alvos, entre pessoas físicas e empresas.
Durante as buscas, foram apreendidos armas, veículos de luxo, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. A operação é considerada uma das maiores já realizadas contra esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo celebridades do mundo do funk e influenciadores digitais.
As investigações prosseguem em sigilo e os envolvidos podem responder por diversos crimes. A defesa de MC Ryan SP tem afirmado, em notas públicas, a lisura das transações financeiras do artista e a intenção de comprovar a origem legítima dos recursos assim que tiver acesso aos autos.
Esta matéria é de autoria independente e baseia-se nas informações divulgadas pela Polícia Federal e pela Justiça até o momento.








