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Manaus refém do crime: bandidos derramam sangue enquanto autoridades assistem de braços cruzados

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Manaus refém do crime: bandidos derramam sangue enquanto autoridades assistem de braços cruzados

Manaus – Esta terça-feira (2) escancarou uma realidade que milhões de amazonenses enfrentam diariamente: a sensação de abandono diante da violência. Em menos de 24 horas, Manaus registrou o encontro de dois corpos no bairro Tarumã e o assassinato de empresário no bairro São José, na zona Leste. Crimes diferentes, em regiões distintas, mas unidos por um mesmo sentimento: a população está cada vez mais refém da criminalidade.

No São José, o empresário Evilásio foi morto com um tiro na cabeça durante um assalto à padaria que construiu ao longo de décadas de trabalho. Conhecido e respeitado na comunidade, ele ajudou a desenvolver o bairro quando a região ainda carecia de infraestrutura básica. O crime revoltou moradores e comerciantes.

A indignação ficou evidente nas palavras de um amigo da vítima, que anunciou uma recompensa para ajudar na captura dos responsáveis. “Eles deram sangue, deram a vida. Essa multidão que está aqui é porque ele era querido. A recompensa que ele teve foi ser morto no trabalho dele, na casa dele. Isso é uma tristeza. É o cúmulo que o Estado propõe para o trabalhador e para o empreendedor”, desabafou.

Veja:

 

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No Tarumã, zona Oeste, dois corpos foram encontrados com poucas horas de diferença. O primeiro corpo, encontrado por volta das 09h na Rua da Paz, era do motociclista Elias Nascimento Bastos, de 34 anos. Ele foi alvejado a tiros e agonizou até a morte nas margens de um matagal.

A mãe dele esteve no local e, desesperada, implorou por um milagre de Deus para que seu filho voltasse a respira. A cena chocou os presentes.

Veja:

O segundo corpo já foi encontrado em uma área de mata mais fechada, em avançado estado de decomposição. Moradores da Rua Ucururi sentiram o odor e, ao se aproximarem, avistaram o cadáver de Isaías Sutero Sena, de 39 anos.

Ele estava desaparecido desde o último sábado, dia 30 de maio. A vítima foi amarrada e torturada até a morte.

Confira:

Os três casos registrados em sequência voltam a expor uma pergunta que há anos acompanha os amazonenses: onde está a segurança pública prometida à população? Trabalhadores são mortos dentro dos próprios negócios, corpos são abandonados em áreas de mata e moradores convivem diariamente com o receio de se tornarem as próximas vítimas.

A realidade das ruas contrasta com os discursos oficiais. Enquanto a criminalidade avança, moradores reclamam da falta de policiamento, da sensação de impunidade e do sucateamento das estruturas de segurança. O resultado é uma população que passa a depender de câmeras, grades, cercas e até recompensas particulares para tentar obter a proteção que deveria ser garantida pelo Estado.

Os episódios também expõem o fracasso da política de segurança pública conduzida pelo governo de Roberto Cidade, que assumiu o comando do Estado prometendo soluções, mas vê a população permanecer refém de assaltantes, homicidas e facções. Enquanto pais de família são executados em seus estabelecimentos e mães sacodem os corpos dos filhos, cresce a sensação de abandono entre os cidadãos, que seguem enfrentando a violência em uma cidade onde a criminalidade parece agir com mais liberdade do que aqueles que trabalham e pagam seus impostos em dia.


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