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‘Golden boys’: Vídeo mostra empresários investigados por fraude no INSS discutindo o que iam fazer com dinheiro roubado dos idosos ; veja

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‘Golden boys’: Vídeo mostra empresários investigados por fraude no INSS discutindo o que iam fazer com dinheiro roubado dos idosos ; veja

Brasil – Gravações de câmeras de segurança  mostram empresários investigados no esquema de descontos fraudulentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conversando sobre formas de proteger dinheiro e sobre a possibilidade de retomar os negócios. As imagens foram registradas cerca de um mês após a Polícia Federal realizar buscas contra os suspeitos. As imagens foram obtidas pelo Estadão.com

Os vídeos e áudios, com aproximadamente 30 minutos de duração, foram gravados em 22 de maio de 2025, na residência de Anderson Cordeiro Vasconcelos, em Alphaville, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Na ocasião, ele recebeu Igor Dias Delecrode, também investigado no caso, acompanhado da namorada.

Veja vídeo (Créditos: Estadão.com)

Os dois fazem parte do grupo de empresários conhecido como “golden boys”, investigado na Operação Sem Desconto, que apura um esquema envolvendo associações de aposentados e pensionistas. Segundo as investigações, cerca de R$ 6,2 bilhões teriam sido desviados diretamente da folha de pagamento de beneficiários do INSS.

Conversas sobre dinheiro

Em um dos trechos, Anderson fala sobre a possibilidade de deixar uma das associações investigadas e abrir mão de sua participação na entidade.

Durante a conversa, Igor reclama que valores mantidos em contas bancárias estariam sendo afetados por bloqueios judiciais. Questionado sobre a possibilidade de retirar o dinheiro, ele afirma que possuía recursos aplicados e menciona a intenção de transferi-los para “dólar digital”, uma modalidade de criptomoeda.

Em outro momento, Anderson demonstra preocupação com a possibilidade de perder um apartamento adquirido em conjunto com outros investigados. As gravações também registram uma conversa sobre a possibilidade de “tokenizar” bens físicos, como obras de arte. A ideia é discutida pelos envolvidos, que questionam como os ativos poderiam ser mantidos sob custódia sem que fossem localizados pelas autoridades.

Possível retomada dos negócios

Ainda durante a conversa, Anderson afirma acreditar que o negócio envolvendo as associações poderia voltar a funcionar no futuro.Segundo o conteúdo das gravações, ele afirma que não sabia quando ou de que maneira isso poderia acontecer, mas demonstrava expectativa de retomada das atividades.

As conversas ocorreram em maio de 2025, aproximadamente 30 dias depois da deflagração da Operação Sem Desconto. Naquele momento, os empresários haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão, mas não estavam presos.

Quem são os investigados

Anderson Cordeiro Vasconcelos e Igor Dias Delecrode, juntamente com Américo Monte Jr. e Felipe Macedo Gomes, são investigados por suposta participação no controle de associações que receberam valores provenientes de descontos realizados sobre benefícios do INSS.

Segundo as investigações, quatro entidades ligadas ao grupo receberam mais de R$ 700 milhões por meio das mensalidades descontadas dos beneficiários. Mais de R$ 100 milhões recebidos pelas associações teriam sido direcionados para empresas ligadas aos empresários e seus familiares.

A Polícia Federal também apreendeu 29 veículos pertencentes ao grupo, incluindo carros de luxo. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram ainda gastos elevados com produtos e serviços de luxo.

Investigação sobre descontos no INSS

A Operação Sem Desconto investiga associações que teriam firmado acordos de cooperação técnica com o INSS para realizar descontos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.Segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU) citados na investigação, 98% dos beneficiários entrevistados afirmaram não ter autorizado os descontos.

As entidades ofereciam serviços como seguros e planos de saúde, mas são suspeitas de realizar filiações sem autorização dos beneficiários. Ex-dirigentes do INSS também são investigados por suposto recebimento de propina para manter ou facilitar os acordos com as associações.

Defesa contesta as gravações

Os advogados de Anderson, Igor e Felipe afirmaram que desconhecem a existência, a autenticidade e a integridade dos vídeos.

A defesa também declarou que, caso as gravações existam, elas teriam sido obtidas de maneira ilícita e criminosa. Os advogados ressaltaram ainda que os bens dos investigados estão bloqueados por determinação judicial e que eles permanecem à disposição das autoridades.Os demais envolvidos citados na reportagem também são alvo de investigações relacionadas ao esquema.

Com Informações de Estadão.com


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