Queda histórica: Ibovespa cai mais de 15% após ‘circuit breaker’; dólar sobe e bate R$ 5,60
Brasil – A confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato provocou um forte abalo no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (26). O Ibovespa cai mais de 15% após a definição oficial do pleito. A vitória petista contrariou a expectativa das pesquisas das últimas semanas. Os levantamentos apontavam vantagem para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa surpresa nas urnas gerou uma onda de aversão ao risco. O movimento de pânico paralisou a bolsa de valores. O cenário de incerteza também fez a moeda norte-americana disparar.
Inicialmente, o índice despencou mais de 10% logo nos primeiros minutos de pregão. O movimento de venda forçou a B3 a acionar o circuit breaker. Esse mecanismo de defesa suspende as negociações da bolsa por 30 minutos. O mercado utilizou a ferramenta pela última vez durante o choque da pandemia de Covid-19 em março de 2020. Em seguida, o pânico continuou na retomada das operações. O índice chegou a recuar mais de 17% durante a manhã. De fato, a principal referência da bolsa brasileira caía 14,19% perto das 13h. O indicador atingiu a marca de 175.991 pontos. Por outro lado, a bolsa havia fechado em leve alta na sexta-feira anterior ao pleito. O índice marcou 205.083 pontos na ocasião.

Disparada do câmbio e a resposta do Tesouro Nacional
Além disso, o impacto se estendeu com força ao mercado de câmbio. O dólar havia encerrado a semana anterior cotado a R$ 4,99. Contudo, a moeda abriu em disparada logo nas primeiras horas. O ativo chegou a bater a máxima de R$ 5,6048. Dessa forma, a moeda avançava 9,11% no início da tarde. Os operadores negociavam a divisa estrangeira a R$ 5,4481.
Na prática, a reprecificação abrupta dos ativos reflete as incertezas dos investidores. Eles questionam a condução da política fiscal no novo mandato. Segundo os especialistas, o mercado teme a flexibilização das metas fiscais do governo. Os agentes projetam o aumento de despesas obrigatórias. Consequentemente, eles preveem o descontrole da trajetória da dívida pública nacional. Paralelamente, os juros futuros explodiram como reflexo imediato. Alguns contratos atingiram os limites de oscilação da B3. As taxas para 2029 e 2035 ultrapassaram a marca de 15% ao ano. Portanto, o Tesouro Nacional precisou intervir no mercado financeiro. O órgão realizou um leilão extraordinário de recompra de R$ 7,1 bilhões. A equipe recomprou títulos públicos prefixados (NTN-Fs) para conter a volatilidade. Essa ação tentou segurar o aumento acelerado das taxas.
Pessimismo no exterior e tensão política institucional
Por outro lado, o pessimismo também contaminou os ativos brasileiros no exterior. Os mercados vizinhos sentiram o peso da crise financeira. Em seguida, o fundo EWZ derretia mais de 26% em Nova York. Esta carteira reúne as principais ações brasileiras. O tombo ocorreu antes mesmo da abertura do pregão internacional. No entanto, a Argentina também registrou perdas econômicas no dia. O país vizinho atua como o principal parceiro econômico do Brasil na região. O índice Merval registrava uma queda de 4,50% na bolsa argentina.
- Por fim, o cenário político adiciona uma camada extra de tensão institucional.
- Essa instabilidade agrava significativamente a volatilidade financeira.
- Na prática, o ministro Cristiano Zanin tomou uma decisão polêmica no domingo.
- O magistrado do STF decidiu prorrogar o horário de votação no país.
- Apesar disso, a oposição gerou uma forte reação pública contra a medida.
Além disso, a apuração cravou uma vitória petista por margem estreita de 51,78% a 48,22%. Contudo, Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota em seu pronunciamento oficial. O senador indicou um futuro pedido formal para a anulação do pleito. Dessa forma, a atitude eleva o risco de judicialização das eleições. Em suma, o clima de incerteza permanece constante no radar dos grandes investidores globais.




