Brasil bate recorde em exportações de petróleo à China

Brasil – As relações comerciais entre Brasil e China atingiram um novo patamar no primeiro trimestre de 2026. Impulsionadas pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, as exportações de petróleo brasileiro para o mercado chinês dobraram em comparação ao mesmo período de 2025. Esse movimento consolidou o maior volume mensal de embarques desde o início da série histórica, em 1997.
De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o total exportado para a gigante asiática somou US$ 23,9 bilhões no trimestre, uma alta de 21,7%. Por outro lado, as importações brasileiras totalizaram US$ 17,9 bilhões, com um destaque impressionante: o avanço de 750% na compra de carros elétricos e híbridos.
Brasil se consolida como fornecedor estratégico de energia
Segundo Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, o crescimento nas vendas de óleo bruto não é por acaso. As tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — particularmente a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global — forçaram Pequim a buscar parceiros mais seguros.
“O Brasil possui uma oferta robusta e uma relação diplomática estável, o que oferece a segurança e a escala que os chineses buscam no momento”, explica Cariello.
A parceria energética é profunda e de longo prazo. Empresas como CNPC e CNOOC já atuam no pré-sal brasileiro há mais de uma década. Recentemente, esse interesse se expandiu para a Margem Equatorial, área que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e é vista como a nova fronteira petrolífera do país, atraindo novos investimentos bilionários apesar dos desafios ambientais.
Desempenho das Commodities: Soja e Minério de Ferro
Embora o petróleo tenha sido o protagonista, a pauta tradicional de exportações manteve sua relevância:
- Soja e Minério de Ferro: Registraram queda no volume físico de embarques
- Valorização: O faturamento, contudo, teve leve alta devido ao aumento dos preços das commodities no mercado internacional.
O fenômeno dos carros chineses no Brasil
Se o Brasil exporta energia, ele importa tecnologia verde. As aquisições de veículos eletrificados somaram US$ 1,23 bilhão nos primeiros três meses do ano — um valor 7,5 vezes maior do que o registrado no início de 2025.
Este salto reflete dois fatores principais:
- Liderança Chinesa: A China consolidou-se como o maior fabricante global de veículos de nova energia.
- Adoção do Consumidor: Somente neste trimestre, 100 mil eletrificados foram vendidos no Brasil. “Hoje, no país, o carro elétrico tornou-se sinônimo de veículo chinês”, afirma o diretor do CEBC.
Antecipação e o Programa Mover
A disparada nas importações também foi motivada por estratégia tributária. Com o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), o Governo Federal estabeleceu um cronograma de retorno gradual do Imposto de Importação para veículos elétricos e kits de montagem (CKD e SKD).
Para evitar as alíquotas mais altas, muitas empresas anteciparam seus estoques. Esse cenário tem gerado um embate de interesses entre as montadoras tradicionais, representadas pela Anfavea, e as novas fabricantes chinesas, que já anunciaram fábricas em solo brasileiro para garantir competitividade a longo prazo.
O balanço comercial do primeiro trimestre de 2026 reafirma a interdependência entre as duas nações. Enquanto o Brasil garante a segurança energética da China, o mercado brasileiro se transforma em um polo estratégico para a expansão da tecnologia automotiva chinesa na América Latina.







