Wilson Lima e Roberto Cidade pregam combate ao crime, mas ‘comem abiu’ sobre ex-segurança preso por ‘arrocho’; veja vídeo
Amazonas – “Eu não faço acordo com bandido.” A frase foi dita pelo ex-governador e candidato ao Senado Wilson Lima durante agenda política em Tefé, no último sábado (26), quando voltou a defender uma atuação firme contra o tráfico de drogas e o crime organizado.
O discurso ganha outro contorno diante de um caso que veio à tona poucos dias antes: a prisão do 3º sargento da Polícia Militar Geovane da Silva Cruz, suspeito de envolvimento com o chamado “arrocho” — prática investigada como extorsão de integrantes do tráfico para tomar cargas de drogas.
Geovane foi preso em 22 de setembro, durante uma operação do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (DRCO), no Centro de Manaus. Segundo informações divulgadas sobre a operação, três policiais militares foram detidos e aproximadamente 50 quilos de drogas, armas, dinheiro e outros materiais foram apreendidos. A investigação ainda deverá esclarecer a participação individual de cada suspeito e as circunstâncias do caso.
É justamente nesse ponto que os registros oficiais levantados pelo CM7 Brasil colocam uma pergunta que ainda não recebeu uma resposta pública específica: como um policial agora investigado por crimes relacionados ao tráfico de drogas passou por diferentes estruturas estratégicas do Estado durante administrações comandadas por Wilson Lima e Roberto Cidade?
Documentos oficiais citados na reportagem do CM7 Brasil mostram que Geovane da Silva Cruz integrou a estrutura da Casa Militar durante o governo de Wilson Lima.
Entre 2019 e 2024, portarias oficiais registraram missões do policial em viagens nas quais o objetivo era prestar “segurança e acompanhamento” ao governador.
Uma publicação oficial referente a uma agenda de fevereiro de 2022, por exemplo, relaciona o então cabo Geovane entre os policiais deslocados para acompanhar uma agenda oficial do governador.
A documentação também aponta que, em novembro de 2022, Wilson Lima assinou um decreto concedendo elogio funcional a Geovane e outros policiais pela atuação no Festival de Parintins. Segundo a reportagem baseada nos documentos oficiais, o militar também ocupou função comissionada na Casa Militar.


A mudança de governo não encerrou a trajetória administrativa
A documentação apresentada pelo CM7 Brasil aponta ainda para um segundo momento.
Com a chegada de Roberto Cidade ao Governo do Amazonas em 2026, Geovane deixou a função de gerente da Casa Militar, mas posteriormente foi cedido ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas.
Segundo a publicação, um decreto oficializado no fim de julho estabeleceu a cessão com efeitos retroativos a 15 de maio. A reportagem aponta ainda que, em agosto, já cedido ao TCE-AM, o policial recebeu duas gratificações vinculadas à atividade administrativa militar.

Pouco mais de um mês depois, veio a prisão.
É essa sequência cronológica que coloca o caso além de uma simples ocorrência policial: o mesmo servidor aparece em registros oficiais ligados à estrutura de segurança do governo anterior, permanece dentro da estrutura pública durante a transição de governo e, posteriormente, acaba preso em uma operação contra suspeitos de extorsão e envolvimento com drogas.
Ainda assim, é necessário ressaltar que a existência dessa sequência administrativa não comprova que as autoridades que assinaram atos funcionais tivessem conhecimento prévio de eventual atividade criminosa.
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