Vereadores Capitão Carpê e Coronel Rosses aparecem defendendo ‘Heineken, Pizza e Wi-fi’ para PMs presos; veja vídeo

Manaus — A transferência de 70 policiais militares do antigo Núcleo Prisional do Monte das Oliveiras para uma nova unidade na BR-174 não acabou apenas com um escandaloso esquema de privilégios. Acabou também servindo de palco para o oportunismo político. Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (12/5), os vereadores Capitão Carpê e Coronel Rosses tentaram surfar na revolta de familiares para criticar a “Operação Sentinela Maior”, deflagrada pelo Governo do Amazonas e pelo Ministério Público (MPAM).
Sob o pretexto de defender a “segurança” e o “risco de vida” dos acautelados, os parlamentares adotaram um discurso alarmista. No entanto, as evidências colhidas pelo próprio MPAM mostram que a dupla, na prática, está atuando como defensora de um sistema bizarro onde presos de altíssima periculosidade cumpriam pena regada a cerveja Heineken, Wi-Fi liberado, ar-condicionado e pizza.
A “Lacração” Descolada da Realidade
No vídeo gravado em frente à antiga unidade, Coronel Rosses classifica a ação do Estado como “inépcia” e afirma que os policiais foram jogados em um “resto de cela”. Capitão Carpê faz coro, alegando que os PMs foram colocados em uma “situação segura” para um local que “não vai trazer segurança”, exigindo que sejam “tratados de forma diferente”. Rosses chega ao ápice do sensacionalismo ao prever uma “grande chacina”.
O que os vereadores convenientemente omitem para os seus seguidores é o contexto real. A transferência não foi um capricho, mas uma recomendação expressa do Ministério Público após um vexame institucional: a fuga em massa de 23 PMs em fevereiro, cujas celas estavam, literalmente, abertas.
O Que Eles Realmente Perderam
Quando Carpê e Rosses falam em perda de “conforto” e “segurança”, as imagens do interior do presídio desativado traduzem o que isso significava. O antigo núcleo prisional não era uma cadeia, era uma colônia de férias.
Os PMs que os vereadores defendem com tanto afinco possuíam roteadores de internet próprios nas celas, TVs de tela plana, freezers abarrotados de carne para churrasco, smartphones recém-comprados ainda na caixa e até animais de estimação. Pelo lado de fora, montanhas de garrafas vazias de cerveja provavam que a farra era contínua.
Vale lembrar quem são os “hóspedes” dessa instalação VIP: dos 83 acautelados listados recentemente no local, mais de 65% respondem por crimes brutais, como homicídio (33,7%), crimes sexuais e estupro de vulnerável (16,8%) e roubo/extorsão (15,6%). É para este perfil de criminoso que os vereadores cobram um “tratamento diferente”?

A Nova Unidade: Fim da Farra, Início da Lei
Ao contrário da narrativa de pânico espalhada pelos parlamentares, o Governo do Estado não jogou os policiais na cova dos leões. A nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM) foi alocada nas dependências da antiga Penitenciária Feminina (Cefec), um complexo totalmente reformado, isolado e à parte dos presos comuns. O risco de “chacina” citado por Rosses é uma falácia desenhada para gerar engajamento nas redes.
O verdadeiro “problema” do novo presídio, que parece incomodar tanto os parlamentares, é que ele é, de fato, um presídio. Imagens da nova instalação mostram corredores austeros, pesadas portas de ferro e beliches de concreto armado. O pátio de banho de sol é protegido por uma espessa tela antifuga no teto, impedindo o arremesso de celulares e drogas. Não há tomadas para roteadores, nem espaço para freezers.
Ao gravarem vídeos esbravejando contra a transferência, Capitão Carpê e Coronel Rosses prestam um desserviço à sociedade amazonense. Ao invés de apoiarem a moralização da segurança pública e o fim da impunidade, escolhem o populismo barato para defender o indefensável. O Estado, finalmente, impôs a lei. Aos vereadores, restou apenas o choro pela internet cortada e pela cerveja que acabou.








