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Heineken, Wi-Fi, TV, ar-condicionado, frigobar e pizza: veja como eram as “celas” da cadeia dos PMs transferidos em Manaus; vídeo

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Heineken, Wi-Fi, TV, ar-condicionado, frigobar e pizza: veja como eram as “celas” da cadeia dos PMs transferidos em Manaus; vídeo

Manaus — O que deveria ser um ambiente de cumprimento de pena assemelhava-se a uma república de estudantes ou um alojamento de luxo. Na manhã desta terça-feira (12), o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou a “Operação Sentinela Maior”, desativando definitivamente o antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.

A transferência dos 70 policiais militares para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), na rodovia BR-174, foi motivada por graves problemas estruturais e, principalmente, por uma completa perda de controle interno. Imagens e vídeos obtidos com exclusividade mostram o nível de regalias e a facilidade com que itens estritamente proibidos entravam nas instalações.

O “Resort” Atrás das Grades

Os registros visuais feitos no interior dos quartos do antigo presídio chocam pela naturalidade com que as infrações ocorriam. Diferente das celas comuns do sistema penitenciário amazonense, os quartos dos PMs presos contavam com privilégios impensáveis:

  • Conectividade irrestrita: Uma televisão de tela plana dividia a parede com um roteador Wi-Fi (da marca Navigator), devidamente conectado e iluminado por uma fita de LED azul, garantindo acesso ilimitado à internet.
  • Fartura e Delivery: O vídeo revela geladeiras verticais e freezers horizontais completamente lotados com sacos de carne, dezenas de cartelas de ovos, manteiga e frutas. Em uma das mesas, restos de uma refeição mostram que os internos consumiam pizzas pedidas de fora, com caixas servindo de bandeja para canecas e bisnagas de molho.
  • Contrabando exposto: Em um dos momentos mais estarrecedores da gravação, uma sacola de papel pardo e retira, de dentro, a caixa lacrada de um smartphone novo (aparentemente um iPhone). Em outro cômodo, uma parafusadeira/furadeira a bateria, ferramenta de alto risco em um presídio, repousa livremente sobre uma cama.
  • Conforto doméstico: Ar-condicionado split nas paredes, banheiros com acabamento em cerâmica, roupas de cama confortáveis, prateleiras repletas de perfumes (alguns femininos) e até mesmo um gato de estimação circulando livremente pela cozinha completam o cenário.

Para agravar a situação, do lado de fora do pavilhão, uma caixa de papelão foi flagrada abarrotada de garrafas de vidro vazias de cerveja Heineken, evidenciando o consumo indiscriminado de álcool.

Privilégios para Crimes Hediondos

A ostentação e o clima de colônia de férias contrastam duramente com o perfil criminal dos acautelados. Um documento registrado nas imagens detalha a tipificação penal dos ocupantes da unidade. Dos 83 listados na triagem recente:

  • 33,73% (28 presos) respondiam por Homicídio.
  • 16,87% (14 presos) cumpriam pena por Crimes Sexuais (incluindo estupro de vulnerável).
  • 15,66% (13 presos) estavam detidos por Roubo, Extorsão e Sequestro.

O restante dividia-se entre tráfico de drogas, abandono de posto, posse ilegal de armas e outros crimes militares.

A Fuga que Derrubou a Fachada

A urgência para a transferência e fechamento do núcleo no Monte das Oliveiras ganhou força após o dia 27 de fevereiro deste ano. Uma fuga em massa de 23 policiais militares expôs a fragilidade do local. A fuga só foi descoberta durante uma vistoria de rotina, evidenciando que as portas estavam praticamente abertas.

O episódio resultou na “Operação Sentinela” do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) em março, que prendeu policiais plantonistas que facilitaram as fugas. O escândalo culminou na prisão e expulsão da corporação do então diretor do Núcleo Prisional, major Galeno Edmilson de Souza Jales.

Tensão na Transferência

A desativação do “clube” não ocorreu sem resistência. Durante a operação de transferência nesta terça-feira, familiares dos detentos tentaram impedir a saída dos ônibus da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Houve protestos, e parentes chegaram a deitar no asfalto formando cordões humanos. Tropa de Choque e Rocam precisaram usar spray de pimenta para dispersar a multidão e garantir o comboio.

A nova unidade, instalada no prédio da antiga Penitenciária Feminina de Manaus (ao lado do Compaj), promete colocar fim às regalias. O comando da operação garantiu que a mudança visa oferecer segurança real. “É um complexo totalmente à parte e independente. Não há contato com presos comuns, mas eles foram para uma unidade prisional com padrões adequados”, declarou a autoridade responsável. As visitas na nova unidade devem ser normalizadas a partir de domingo, sob as regras rígidas do sistema carcerário estadual.


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