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Fim da Mamata: PMs presos fazem motim para não perder “presídio de luxo” em Manaus; veja vídeo

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Fim da Mamata: PMs presos fazem motim para não perder “presídio de luxo” em Manaus; veja vídeo

Manaus — O clima é de extrema tensão na manhã desta terça-feira (12) no antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, situado no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte da capital. Os 70 policiais militares que cumprem pena no local deflagraram um motim e estão resistindo à transferência para a nova unidade prisional alocada na rodovia BR-174. As forças de segurança cercam o prédio e, neste momento, aguardam a chegada de um negociador para tentar uma rendição pacífica. Ainda conforme informações apuradas pela reportagem, os detentos pedem a presença do Secretário de Segurança Pública e até do Governador do Estado.

A movimentação faz parte da Operação Sentinela Maior, uma megaoperação deflagrada pelo Governo do Estado do Amazonas que mobiliza mais de 100 agentes do Ministério Público do Estado (MPAM), da Polícia Militar (PMAM) e da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O objetivo é desativar a atual unidade e transferir os detentos para a Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), instalada no prédio da antiga Penitenciária Feminina de Manaus (PFM).

Presídio ou Hotel? O fim das regalias

A forte resistência dos detentos ocorre justamente no momento em que o Estado tenta acabar com um cenário sistêmico de privilégios. A desativação atende a uma determinação do Ministério Público, que diagnosticou graves problemas operacionais e constatou que o local operava com um padrão de luxo totalmente incompatível com a segurança pública.

Durante inspeções recentes, as autoridades encontraram um verdadeiro ambiente de “hotelaria”. O excesso de bens pessoais nas celas é um dos fatores que está atrasando o processo de transferência. Entre os itens flagrados e apreendidos no núcleo prisional, destacam-se:

  • Ar-condicionados e TVs;
  • Churrasqueiras e air fryers;
  • Eletrodomésticos variados e objetos de lazer proibidos pelo sistema carcerário.

Corrupção, facilitação e histórico de descaso

Além do luxo, o presídio no Monte das Oliveiras tornou-se sinônimo de corrupção. Investigações revelaram que os próprios agentes de guarda facilitavam a entrada irregular de visitantes — incluindo mulheres — e acobertavam fugas.

A medida extrema de fechamento da unidade ocorre após meses de descaso documentado:

Aviso ignorado: Em fevereiro deste ano, a “Operação Fogo Amigo” já havia feito uma varredura nas celas, apreendendo diversos celulares e evidenciando a falência do controle institucional.

O Estopim: No dia 27 de fevereiro, o colapso ficou evidente para toda a sociedade quando 23 policiais militares fugiram em massa. O escândalo foi agravado pelo fato de que a ausência dos internos só foi notada durante uma vistoria de rotina da corporação.

Limpeza na instituição

A fuga em massa desencadeou a “Operação Sentinela”, deflagrada em março pela 60ª Promotoria de Justiça (Proceapsp). A ação resultou na prisão preventiva de policiais que estavam de plantão e facilitaram a saída dos internos.

A responsabilização chegou ao topo da hierarquia. O então diretor do Núcleo Prisional, major Galeno Edmilson de Souza Jales, foi preso durante as investigações. Em uma medida dura endossada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governador Wilson Lima assinou um decreto formalizando a exclusão do major dos quadros da Polícia Militar.

Com a desativação da antiga estrutura, o Estado aposta na nova instalação na BR-174 para retomar o controle carcerário militar. No entanto, o desfecho da operação de hoje agora depende do trabalho tático do negociador para contornar a revolta pelos internos no Monte das Oliveiras.


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