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Quanto custou a desistência de Tadeu de Souza para Roberto Cidade sentar na cadeira de governador?

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Quanto custou a desistência de Tadeu de Souza para Roberto Cidade sentar na cadeira de governador?

Amazonas– “Quanto custou o mandato de governador, Roberto?”. O questionamento lançado por David Almeida durante o debate da TV A Crítica permanece ecoando nos bastidores da política amazonense e joga luz sobre uma pergunta ainda maior: o que Tadeu de Souza ganhou politicamente para abrir mão do Governo do Amazonas e deixar o caminho livre para Roberto Cidade?

Tadeu era vice-governador e seria o sucessor natural de Wilson Lima. Mas, quando Wilson renunciou, Tadeu também deixou o cargo. Abriu mão de cerca de nove meses comandando o Estado para disputar uma vaga de deputado federal. O próprio ex-vice confirmou depois que a decisão foi construída dentro do grupo político, no qual Wilson é o “cabeça”.

Na prática, a saída dos dois produziu um beneficiário imediato: Roberto Cidade. Então presidente da ALEAM, ele assumiu o governo interinamente e posteriormente foi escolhido pelos deputados para permanecer no cargo como governador-tampão. Cidade teve votos para ser deputado estadual, mas não foi escolhido diretamente pela população para governar o Amazonas. Em 4 de maio, recebeu os votos dos 24 parlamentares na eleição indireta.

Tadeu, aliás, nunca construiu uma trajetória de grande protagonismo eleitoral. Sua primeira eleição foi somente em 2022, quando entrou na política como vice na chapa de Wilson Lima. Em 2026, quando finalmente poderia assumir pessoalmente o comando do Amazonas e transformar aqueles nove meses no maior momento político de sua trajetória, preferiu renunciar sem sequer exercer o cargo de governador. Agora busca uma vaga de deputado federal tendo como principal experiência eleitoral justamente o posto de vice do qual abriu mão. Por que fazer isso justamente quando tinha a oportunidade de deixar de ser coadjuvante e assumir o protagonismo?

A pergunta ganha ainda mais peso porque Cidade e Wilson já articularam, em diversas ocasiões, politicamente em sintonia. Como por exemplo, sob a presidência de Roberto Cidade, a ALEAM aprovou sucessivas operações de crédito pedidas pelo governo Wilson Lima — só em novembro de 2023, foram autorizados empréstimos que somavam cerca de R$ 2,5 bilhões, incluindo R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil, US$ 200 milhões junto ao Banco Mundial e outra operação de R$ 220 milhões.

É aí que o questionamento de David ganha força. Em 2020, quando Cidade disputava a presidência da Assembleia, Joana Darc — hoje sua aliada — afirmou na tribuna que ele teria oferecido R$ 200 mil por voto a deputados.

Veja vídeo:

Agora, seis anos depois, uma nova articulação colocou Roberto Cidade em um cargo ainda maior. Wilson saiu. Tadeu também. Cidade entrou. A própria imprensa local descreveu a renúncia simultânea como o movimento que levou Cidade ao governo, enquanto Wilson permaneceu como liderança do mesmo grupo político que posteriormente lançou Cidade candidato à reeleição.

Por isso, a pergunta não desapareceu com o fim do debate. Se Tadeu tinha o Governo do Amazonas nas mãos, por que abriu mão justamente naquele momento? O que recebeu politicamente em troca? E, como questionou David Almeida, quanto custou para Roberto Cidade chegar à cadeira de governador?


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