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Igreja americana inaugura escritório para tradução Tikuna e gera embate com defensores de causas indígenas

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Igreja americana inaugura escritório para tradução Tikuna e gera embate com defensores de causas indígenas

Amazonas – A inauguração de um centro de tradução para a língua Tikuna em Tabatinga, na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), está gerando fortes reações de movimentos sociais e ativistas. O escritório, mantido pela organização religiosa Testemunhas de Jeová, tem como objetivo declarado a tradução de materiais bíblicos para converter povos originários. Entretanto, o avanço da denominação americana em territórios ancestrais é visto com preocupação por lideranças que defendem a preservação cultural indígena.

Estrutura e Objetivo do Novo Centro

O prédio de dois andares, localizado no centro de Tabatinga, foi inaugurado em 19 de fevereiro após oito meses de obras. Segundo informações locais, a construção contou com o trabalho voluntário de cerca de 300 pessoas. O foco da unidade é o portal JW.ORG, utilizado para treinar pregadores e facilitar o batismo de indígenas na doutrina da organização.

Apesar de ser apresentada como uma iniciativa de inclusão linguística, a instalação é duramente criticada pelo Movimento de Ajuda às Vítimas das Testemunhas de Jeová (MAV-TJ). Nesse sentido, o líder do movimento, Yann Rodrigues, classifica a chegada da organização como um “retrocesso” para as tradições ancestrais do povo Tikuna.

Riscos às Tradições e à Saúde Indígena

As críticas centram-se em dois pilares principais da doutrina: a proibição de transfusões de sangue e a política de ostracismo social (discriminação) contra ex-membros. De acordo com Yann Rodrigues, ativista que já atuou no Amazonas, essas normas podem ser fatais em comunidades indígenas, onde a vida é pautada pelo coletivismo.

“As doutrinas extremistas e americanizadas podem levar à morte de ainda mais indígenas. O pecado em aceitar transfusão de sangue e a discriminação de quem decide sair da religião são ataques diretos à base da vida comunitária e familiar desses povos”, alerta o líder do MAV-TJ.

Além disso, Rodrigues argumenta que a imposição de padrões culturais estrangeiros descaracteriza a identidade originária. Por esse motivo, ele defende que o que os indígenas necessitam é de proteção territorial e demarcação, e não da importação de costumes dos Estados Unidos.

Pedidos de Fiscalização e Providências Jurídicas

Diante do cenário, o MAV-TJ cobra uma atuação firme de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério dos Povos Indígenas. O objetivo é impedir que denominações religiosas avancem de forma predatória sobre áreas vulneráveis.

Portanto, o ativista informou que pretende protocolar denúncias formais para investigar a atuação da organização na região. Em suma, a disputa em Tabatinga reflete um embate mais amplo sobre a autonomia dos povos indígenas frente ao proselitismo religioso em solo amazônico.


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