Governo Roberto Cidade é acusado de dar calote no plano de saúde dos professores após descumprir três acordos de pagamento
Amazonas – Enquanto a Secretaria de Educação registra R$ 153 milhões em pagamentos a fornecedores, Hapvida cobra quatro mensalidades atrasadas e alerta para risco de suspensão de consultas, exames, cirurgias e internações de professores e familiares.
O governo de Roberto Cidade enfrenta uma grave cobrança pelo não pagamento do plano de saúde dos professores e demais servidores da Educação do Amazonas. Uma notificação formal da Hapvida, datada de 23 de outubro de 2026, aponta que a administração estadual deixou acumular quatro mensalidades vencidas e descumpriu três acordos de pagamento negociados com a operadora.
São quatro faturas de aproximadamente R$ 7,5 milhões cada, que ficaram sem pagamento entre junho e setembro, acumulando uma dívida de R$ 30,34 milhões, segundo a empresa.
O atraso coloca em risco a continuidade da assistência médica de professores, servidores e dependentes que precisam do plano para consultas, exames, cirurgias, internações e tratamentos contínuos.
A situação ganha ainda mais repercussão porque, enquanto a operadora cobra os valores atrasados, um levantamento divulgado pela imprensa aponta R$ 153,3 milhões em pagamentos registrados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM) em uma relação datada de 23 de outubro.
Veja as quatro mensalidades que o governo deixou vencer:

Além dessas quatro faturas, a mensalidade de outubro, no valor de R$ 7.713.497,45, tem vencimento previsto para o dia 30. Somadas, as cinco competências relacionadas pela operadora chegam a R$ 38.053.820,30.
A parcela de outubro ainda não estava vencida na data da notificação.
Governo renegociou três vezes e não pagou, afirma Hapvida
Segundo a operadora, o governo estadual recebeu novas oportunidades para regularizar parte da dívida, mas não cumpriu as datas combinadas.
A mensalidade de junho, de R$ 7.483.627,26, foi renegociada para pagamento em 14 de setembro. A parcela de julho, de R$ 7.571.364,92, deveria ter sido quitada em 7 de outubro.
Já a mensalidade de agosto, de R$ 7.624.322,61, teve o pagamento reagendado para 14 de outubro. De acordo com a Hapvida, nenhuma das três datas foi cumprida. Somente essas parcelas renegociadas somam R$ 22.679.314,79.
A empresa afirma que já havia encaminhado notificações anteriores à Seduc, alertando sobre os atrasos e os impactos financeiros da falta de pagamento.
R$ 153 milhões em pagamentos, mas plano de saúde continua atrasado
Enquanto a dívida da assistência médica se acumulava, um levantamento divulgado no Portal da Transparência apontou R$ 153,3 milhões em pagamentos registrados pela Seduc em uma relação datada de sexta-feira, 23 de outubro.
Desse montante, aproximadamente R$ 95 milhões aparecem associados a apenas três fornecedores.
Os valores ainda precisam ser confrontados com os registros oficiais para esclarecer os contratos, a natureza das despesas e as datas efetivas das transferências.
A existência desses pagamentos não comprova, por si só, irregularidades. Entretanto, o contraste levanta questionamentos sobre os critérios de pagamento da secretaria, especialmente diante dos compromissos assumidos com a operadora do plano de saúde.
Professores e familiares correm risco de ficar sem atendimento
O problema vai além da dívida financeira. Professores, demais servidores e familiares dependem do plano para consultas médicas, exames, cirurgias, internações e tratamentos contínuos, inclusive de doenças graves.
Na notificação, a Hapvida afirma que a manutenção dos serviços sem o recebimento das mensalidades compromete o equilíbrio financeiro do contrato. A operadora comunica a intenção de suspender os serviços caso a situação não seja regularizada.
O aviso não significa que todos os atendimentos já tenham sido interrompidos. A própria empresa ressalta que qualquer suspensão deverá observar as exigências legais e contratuais, especialmente a continuidade assistencial em casos de urgência, emergência e tratamentos cuja interrupção represente risco aos pacientes.
Hapvida dá prazo para governo pagar
A operadora concedeu prazo de cinco dias úteis, contados do recebimento da notificação, para que a Seduc adote providências.
Entre as exigências estão a quitação das quatro mensalidades vencidas, a explicação sobre os três acordos descumpridos e a apresentação das medidas previstas para regularizar a dívida.
A Hapvida também solicitou garantias para o pagamento da mensalidade de outubro, prevista para vencer no dia 30.
O governo estadual precisa esclarecer se houve pagamento após a posição financeira de 19 de outubro e quais providências estão sendo adotadas para garantir a continuidade da assistência médica dos professores e de seus dependentes.
Enquanto essas informações não forem esclarecidas, permanece o risco de suspensão contratual apontado pela operadora.
Confira o documento encaminhado à Seduc:





