Ex-presidente do BRB antecipou cenário de liquidação do Banco Master 50 dias antes de intervenção do BC

Brasil – Investigações revelam novos detalhes sobre a crise que envolve o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Mensagens vazadas para a imprensa nesta sexta-feira (24/4) indicam que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já articulava estratégias jurídicas para uma eventual quebra do Master quase dois meses antes da decisão oficial de liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.
Em 29 de setembro de 2025, exatos 50 dias antes da intervenção do BC, Costa enviou uma mensagem ao então diretor jurídico da instituição, Jacques Veloso, com um comando direto: “Jacques, precisamos definir as estratégias jurídicas para o cenário de liquidação do Master”. O diálogo ocorreu poucas semanas após o Banco Central rejeitar a tentativa do BRB de adquirir o Master, período em que o banco brasiliense já havia absorvido carteiras de crédito de alto risco (as chamadas “carteiras podres”) da instituição parceira.
O cronograma das mensagens coincide com o avanço das investigações dos órgãos de controle. No dia em que o Banco Central finalmente interrompeu as atividades do Master, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou no afastamento imediato de Paulo Henrique Costa. O caso escalou na última semana, quando, em 17 de abril de 2026, o ex-executivo foi preso. A PF aponta que ele teria negociado o recebimento de R$ 146,5 milhões em propinas, disfarçadas na forma de imóveis de luxo, para favorecer o Master dentro do BRB.
Em resposta aos questionamentos, Jacques Veloso afirmou, por meio de sua assessoria, que a solicitação de Costa gerou reuniões técnicas e a contratação de advogados especializados para avaliar os riscos. Segundo o ex-diretor jurídico, as medidas visavam resguardar os interesses do BRB diante do cenário de instabilidade que se desenhava. Após a liquidação ser oficializada, um grupo de trabalho interno foi criado e medidas judiciais foram ajuizadas para tentar proteger o patrimônio do banco público.
O caso segue sob sigilo de Justiça e levanta dúvidas sobre a governança do BRB durante a gestão de Costa, especialmente no que diz respeito à pressa na aprovação de documentos relacionados às carteiras de crédito e ao nível de conhecimento prévio da cúpula do banco sobre a insolvência do Master.
Com informações via Metrópoles








