“Cadê o dinheiro?”: denúncia aponta atrasos da OS AGIR e paralisação de serviços na saúde do Amazonas
Manaus – Trabalhadores terceirizados da rede pública de saúde do Amazonas denunciam uma situação preocupante envolvendo atrasos salariais e dificuldades financeiras. Segundo os relatos, empresas que prestam serviços ao Complexo Hospitalar Sul (CHS), administrado pela organização social Agir, estão há quatro meses sem receber pagamentos. A situação já estaria afetando o funcionamento de serviços essenciais e deixando funcionários sem condições de custear despesas básicas, como alimentação e transporte.
A denúncia é reforçada por uma nota interna da empresa CONSULMED, datada de 6 de novembro de 2026. No documento, a prestadora de serviços de tomografia, ressonância magnética, raio-X e emissão de laudos confirma que a Agir não efetuou os pagamentos referentes aos meses de julho, agosto, setembro e outubro. Apesar da inadimplência, a empresa afirma que manteve os atendimentos e utilizou recursos próprios para pagar os salários de julho e agosto.
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O problema, no entanto, vai além das contas das empresas. Funcionários relatam momentos de desespero diante da falta de pagamento, com dificuldades até para colocar comida na mesa. Alguns trabalhadores afirmam que já não possuem dinheiro para comprar alimentos ou pagar o transporte até o hospital, situação que ameaça o sustento de suas famílias e a continuidade dos atendimentos.
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Os reflexos também estariam chegando aos pacientes. Conforme a denúncia, os exames de ultrassonografia no Complexo Hospitalar Sul estão suspensos há quatro dias. A paralisação pode provocar atrasos em diagnósticos e prejudicar pessoas que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro ponto que levanta questionamentos é a destinação dos recursos públicos. De acordo com os denunciantes, o Governo do Amazonas continuaria realizando repasses à Agir, mesmo com os atrasos enfrentados pelas empresas contratadas. Os relatos apontam ainda que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) já teria conhecimento da situação, mas os problemas continuam sem solução.
Na nota interna, a CONSULMED informou que permanece em contato com a Agir para cobrar os valores devidos e que poderá adotar medidas administrativas e judiciais. A empresa não detalhou o montante total da dívida nem esclareceu a situação dos salários de setembro e outubro.
Diante das denúncias, a gestão do governador Roberto Cidade, a SES-AM e a Agir precisam esclarecer os valores efetivamente repassados, a situação dos pagamentos às prestadoras e as medidas para garantir a continuidade dos exames.
