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Estudo comprova que filhos de pais saudáveis são menos propensos a obesidade

Estudo comprova que filhos de pais saudáveis são menos propensos a obesidade

Um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, comprovou que filhos de pais saudáveis são 75% menos propensos a sofrer com excesso de peso ao longo da vida. No dia a dia, no entanto, isso pode não ser tão simples, como afirmam especialistas.

“Claro que o modelo alimentar aprendido pelas crianças passa pelos pais. Mas não adianta afirmar que é preciso comer salada se, em casa, só há cheeseburger. Além disso, a criança tem outras influências, que podem vir dos avós, da escola e até de propagandas. Juntando essas variáveis, nem sempre os pais saudáveis terão filhos que comem bem”, afirma a neuropsicóloga Deborah Moss.

“É muito importante dar boas opções às crianças. Não adianta oferecer uma bolacha recheada e uma maçã. O doce sempre ganha. Melhor se a escolha for entre uma uma maçã e uma pera”, destaca Deborah.

Veganos e alérgicos

Quando os hábitos dos pais são mais restritivos, o desafio aumenta. A gerente de marketing Andrezza Aldrighi Zimenez, 32, é vegetariana e tem uma filha de quase dois anos. “Eu a levei para a nutricionista já aos seis meses e ela me ensinou um método que ajuda a criar uma relação saudável da criança com a comida. O meu marido come carne, mas eu pedi a ele que não desse a ela”, afirma Andrezza, que também é bastante preocupada com o consumo de doces.

“Há muitas pesquisas falando sobre o vício em açúcar, do quanto ele estraga o paladar. Mas não é fácil controlar, porque as pessoas associam açúcar a amor e querem dar doce para a criança”, diz a gerente de marketing.

Andrezza não pretende proibir a filha de comer doces nem carne, mas se preocupa em ensinar sobre o equilíbrio na hora de se alimentar. Esse meio-termo é importante, segundo a nutróloga e endocrinologista Elaine Ferraz. “Os alimentos devem ser apresentados às crianças para que elas tomem a decisão do que consumir. Ensinar sobre o que faz bem e o que não faz é importante, porém os pais precisam ter em mente que o proibido causa curiosidade.”

Brincar faz bem

Se adultos com problemas alimentares ou obesidade são obrigados a seguir dietas e a praticar exercícios, as crianças devem fazer isso de forma natural. A rotina da gerente de vendas Adriana Amorim, 48, não permitia que ela cuidasse melhor da alimentação do filho, Lucas, nove anos. “Eu o levei ao pediatra e descobri que ele estava dez quilos acima do peso. O médico disse que ele não precisava perder peso, mas seria preocupante se ele engordasse mais”, conta a mãe.

Conversando com uma personal trainer, na academia que frequentava, Adriana a convenceu a abrir uma aula dedicada a crianças. “Ela tem uma casa enorme, com quintal, e ensina as crianças a pular corda, a usar a cama elástica, a jogar bola. É como uma brincadeira. O Lucas não tem irmãos e possui hábitos sedentários com os amigos. Todos só querem saber se videogame e celular”, explica.

As crianças não devem ser submetidas a dieta ou programa de exercícios, afirma a nutricionista Mariana Claudino. “Na infância e na adolescência, o corpo muda, e é preciso respeitar as fases de crescimento. Tem mães que me procuram porque a filha de nove anos está barrigudinha, mas isso não quer dizer que a criança deve perder peso.”

O pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum destaca ainda que a criança que ganha muito peso ainda quando bebê não pode ser taxada de obesa. “O médico tem de ser responsável e colocar em gráficos de peso e estatura para saber se a criança tem estruturas normais. Um pouco de peso a mais não significa que seja doente ou tenha colesterol alto. É preciso avaliar caso a caso.”

Há ainda a herança genética em casos de famílias com problemas de obesidade, que deve ser considerada. “Mesmo que a criança tenha na família casos de sobrepeso ou obesidade, é possível que ela não ative tais genes caso possua hábitos de vida saudáveis”, completa a nutricionista Ariane Bomgosto.

Crie um ambiente familiar saudável

Tenha boas opções em casa. Fruteira cheia, geladeira com opções de salada e iogurtes acostumam a criança a optar por sugestões saudáveis

  • Não esconda doces ou bolachas. O mais correto é não comprar o tempo todo. Uma sugestão é perguntar para a criança, no fim de semana, o que ela está com vontade de comer
  • Cuidado para não relacionar comida ao tédio. Quando a criança não tem o que fazer, sente vontade de comer
  • Proibições excessivas podem gerar compulsão alimentar mais tarde. Se a criança nunca puder comer brigadeiro, mas tiver vontade, ela comerá muito sempre que tiver oportunidade
  • Outra associação perigosa é comida e lazer. Alimentos saudáveis devem fazer parte de horas agradáveis. Nem todo momento de reunião e festa precisa ser regado a comidas de alta dose calórica ou opções gordurosas
  • Crianças podem demorar até 15 tentativas para ter a certeza de que gostam de certo alimento. É preciso insistir e oferecer a comida em momentos e formatos diferentes. Tomate pode ser quente, frio, em rodelas ou cubinhos. Cenoura pode ser ralada ou cozida, por exemplo
  • Para criança não existe dieta restritiva nem programa de exercícios. É preciso se alimentar bem, de maneira nutritiva e também ter a oportunidade de brincar mais com amigos, pular corda e praticar esportes
  • Nem toda criança que aparenta ter excesso de peso possui algum problema de saúde. Só um médico pode avaliar isso, conforme seus hábitos, a herança genética e a fase de crescimento
  • Magreza também não é sinônimo de saúde, visto que uma criança magra pode apresentar déficits nutricionais se não tiver uma rotina alimentar de qualidade
  • Há dias em que a criança pode estar indisposta ou sem apetite. Nem sempre é preciso comer tudo o que está no prato
  • Quantas vezes for possível, faça refeições em família, com todos sentados à mesa, curtindo o momento

Fontes: Ariane Bomgosto, nutricionista; Augusto Ferreira, médico, presidente da Sociedade Cientifica de Saúde Integrativa; Debora Moss, neuropsicóloga, mestre em psicologia do desenvolvimento humano pela USP (Universidade de São Paulo); Eliane Ferraz, nutróloga e endocrinologista; Mariana Claudino, nutricionista da ACT Promoção da Saúde, membro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável; e Nelson Douglas Ejzenbaum, médico pediatra e neonatologista. Com informações do Lifestyle.


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