Investidores estrangeiros colocam mais US$ 63,3 milhões no projeto de potássio de Autazes

Amazonas – A nova rodada de investimentos internacionais na Brazil Potash recolocou o Amazonas no centro das discussões sobre segurança alimentar, fertilizantes e autonomia estratégica do agronegócio brasileiro. A companhia anunciou a captação de US$ 63,3 milhões para acelerar o avanço do Projeto Autazes, empreendimento que pretende explorar potássio no interior amazonense e ampliar a produção nacional do insumo utilizado na fabricação de fertilizantes.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pelo jornal Valor Econômico e surge em um cenário de crescente preocupação global com o abastecimento de fertilizantes. Atualmente, cerca de 80% da oferta mundial de potássio está concentrada em Canadá, Rússia e Belarus, regiões frequentemente impactadas por tensões geopolíticas, sanções econômicas e disputas comerciais.
O debate ganhou ainda mais relevância após os impactos provocados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, e pelas recentes instabilidades no Oriente Médio, que elevaram os custos logísticos e pressionaram o mercado internacional de commodities agrícolas.
Nesse contexto, o Projeto Autazes passa a ser tratado como um ativo estratégico para o Brasil. O país importa aproximadamente 85% do potássio utilizado pelo agronegócio, setor responsável por uma parcela significativa das exportações brasileiras.
Segundo a Brazil Potash, a futura mina instalada em Autazes poderá atender até 20% da demanda nacional pelo insumo. A empresa afirma que a produção no Amazonas deve contribuir para reduzir custos logísticos, principalmente para produtores rurais do Mato Grosso, considerado o principal polo agrícola do país.
O CEO da companhia, Matt Simpson, voltou a defender a exploração mineral como uma pauta estratégica para o abastecimento nacional de fertilizantes. A empresa busca consolidar o projeto amazonense como uma alternativa relevante diante das oscilações do mercado global e da dependência brasileira de importações.
A operação será conduzida pela subsidiária Potássio do Brasil, que pretende iniciar ainda neste ano as obras estruturais do empreendimento em Autazes, município localizado a cerca de 110 quilômetros de Manaus.
Os recursos captados serão direcionados para a abertura dos primeiros poços subterrâneos, construção da planta de processamento, instalação de um porto no Rio Madeira e ampliação da estrada de acesso à unidade portuária.
De acordo com a empresa, a jazida de potássio está localizada a aproximadamente 800 metros de profundidade. A exploração subterrânea é apresentada como um modelo operacional voltado à otimização da área de superfície utilizada pelo empreendimento.
Além do aporte privado já anunciado, a companhia segue em busca de novas fontes de financiamento para avançar nas próximas etapas do projeto, considerado um dos maiores investimentos minerais em desenvolvimento na região Norte do país.








