Após tentar censurar denúncias e perder na Justiça, Alessandra Campelo aciona ‘blogueira do ódio’ para atacar dona do CM7

Amazonas – A tentativa de silenciar a imprensa livre naufragou nos tribunais para a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD). Após tentar, sem sucesso, censurar o Portal CM7 e sua diretora, Cileide Moussallem, a parlamentar amargou duras derrotas na Justiça amazonense em duas ações distintas, ambas envolvendo reportagens de cunho investigativo sobre uso de recursos públicos e relações políticas.
Na primeira ação (Processo nº 0659134-54.2025), Campelo questionou a matéria “Sob comando de Alessandra Campelo, SEAS usa R$ 48 milhões da assistência social para beneficiar empresário aliado”, que expôs, com base em dados oficiais, que uma empresa recebeu cerca de R$ 45,8 milhões do Governo do Amazonas entre 2022 e 2025, sendo 93,7% via Secretaria de Assistência Social (SEAS), então sob sua gestão. A reportagem sugeria proximidade entre o empresário beneficiado e o grupo político da deputada. A Justiça foi direta: não houve abuso, nem manipulação, nem ofensa — apenas divulgação de dados públicos e crítica política legítima, julgando a ação improcedente.

Já na segunda ação (Processo nº 0664047-79.2025), a parlamentar tentou derrubar a reportagem “Jogo entre amigos: Wilson Lima injeta R$ 8 milhões em projetos de Rozenha e Alessandra Campelo”, que tratava da destinação de recursos públicos a projetos ligados ao seu entorno político, levantando questionamentos sobre a aplicação dessas verbas. Mais uma vez, o Judiciário rejeitou o pedido, destacando que a matéria abordava tema de interesse público, sem intenção de difamar, e que críticas a agentes públicos fazem parte do debate democrático. Resultado: nova improcedência.

Os juízes foram categóricos: o CM7 apenas exerceu seu papel democrático ao questionar, com base em dados oficiais do Portal da Transparência, o repasse de dezenas de milhões de reais envolvendo o grupo político do qual Alessandra faz parte, alinhado ao ex-governador Wilson Lima e a Roberto Cidade (União Brasil). Para o Judiciário, figuras públicas devem suportar o escrutínio social, confirmando que a censura pretendida pela deputada não tinha base legal.
Mas o verdadeiro incômodo da deputada vai muito além das cifras reveladas pelas reportagens. Nos bastidores da política baré, é de conhecimento público que Alessandra Campelo nutre uma aversão feroz a quem ousa dividir o protagonismo da “defesa das mulheres”. A parlamentar age como se detivesse o monopólio exclusivo da causa feminina no Amazonas. Ao se deparar com uma mulher forte e de grande alcance na comunicação, como Cileide Moussallem, a deputada não vê uma aliada, mas sim uma ameaça intolerável à sua hegemonia midiática.
O grande problema é que o “feminismo” de Alessandra tem CEP, filiação partidária e limite de conveniência. Quando as vítimas são mulheres que entram em rota de colisão com os caciques do seu grupo político, a deputada subitamente perde a voz. Foi exatamente assim no abafado caso envolvendo a ex-esposa de Roberto Cidade, onde a autoproclamada defensora das mulheres preferiu um silêncio sepulcral e conveniente. A mesma omissão vergonhosa se repetiu diante dos escândalos de ostentação com dinheiro público, como o festim regado a “carne de ouro” na Grécia. Para a deputada, a blindagem dos aliados está muito acima de qualquer sororidade.

Essa plasticidade moral, no entanto, não surpreende quem acompanha sua trajetória. Alessandra Campelo tem um histórico comprovado e obscuro de forjar narrativas para sobrevivência política. O submundo amazonense ainda ecoa o famigerado áudio vazado de 2016, no qual ela articulava friamente com uma aliada (identificada como “Martinha”) a criação de uma fake news sobre um falso apagão. O objetivo era esvaziar a audiência de uma reportagem do Fantástico que revelaria o uso da Polícia Militar a favor do então governador José Melo — alvo da Polícia Federal. Naquela época, a tática de guerrilha digital e o uso de boatos para acobertar corrupção quase lhe renderam a cassação do mandato na Assembleia Legislativa.
Ouça:
É exatamente esse modus operandi sombrio que volta a operar agora. Incapaz de derrotar Cileide Moussallem na Justiça de forma limpa e amparada em fatos, Alessandra recorre à sua velha tática: terceirizar a sujeira. Ao acionar Any Margareth, a “blogueira do ódio” do Radar Amazônico, a deputada tenta plantar narrativas difamatórias para desviar a atenção de suas próprias contradições e derrotas.
A manobra covarde é a cortina de fumaça de quem teve suas falhas expostas, perdeu nos tribunais e agora tenta, por meio de intermediários, destruir a reputação de quem não se ajoelha aos seus caprichos. Mas a verdade já está homologada nos autos: o jornalismo investigativo venceu, e a censura e o oportunismo político perderam.
Veja as decisões na íntegra:
Sentença 1:





Sentença 2:









