Brasil – O aumento nos preços do diesel tem provocado efeitos diretos e expressivos sobre o custo de produção agrícola no Brasil, elevando despesas operacionais e pressionando a rentabilidade de diversas culturas. Dados recentes apontam que o encarecimento do combustível impactou especialmente as operações mecanizadas, essenciais para o funcionamento do agronegócio.
Entre as culturas mais afetadas, o arroz registrou aumento de R$ 203,85 por hectare nos custos de produção, seguido pelo algodão (R$ 80,95/ha), milho da primeira safra (R$ 75,75/ha) e da segunda safra (R$ 40,33/ha). Também houve elevação nos custos do trigo (R$ 47,94/ha) e da soja (R$ 42,74/ha), refletindo a dependência do diesel em etapas como preparo do solo, plantio e colheita.
Quando analisado o impacto total, os números ganham ainda mais dimensão. O setor sucroenergético, com destaque para a cana-de-açúcar, acumula prejuízos estimados em R$ 3,39 bilhões, enquanto a produção de soja registra impacto de R$ 2,06 bilhões.
Outras culturas também apresentam perdas relevantes. O milho da primeira safra soma R$ 375,9 milhões em custos adicionais, enquanto o da segunda safra chega a R$ 732,6 milhões. Já o arroz acumula R$ 320,7 milhões em impacto, seguido pelo algodão (R$ 161,7 milhões) e trigo (R$ 113,4 milhões).
No total, o aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 7,2 bilhões nos custos do agronegócio, evidenciando a forte dependência do setor em relação ao combustível fóssil.
Especialistas avaliam que esse cenário pode refletir não apenas na margem dos produtores, mas também nos preços finais dos alimentos, ampliando os desafios para toda a cadeia produtiva.