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“Viajar virou luxo”: preços do transporte fluvial pressionam moradores do interior do Amazonas

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“Viajar virou luxo”: preços do transporte fluvial pressionam moradores do interior do Amazonas

Amazonas – O alto custo do transporte fluvial no Amazonas tem provocado revolta entre moradores do interior e reacendido o debate sobre a falta de fiscalização e regulação das tarifas cobradas nos rios do estado. Em Fonte Boa, um caso recente chamou atenção após o frete de uma encomenda avaliada em R$ 1,5 mil custar R$ 400 — quase 28% do valor total do produto.

A situação escancara a dificuldade enfrentada por quem depende exclusivamente das embarcações para se deslocar, receber mercadorias, alimentos, medicamentos e outros insumos básicos. Em municípios onde os rios são as principais “estradas”, os custos elevados acabam impactando diretamente o orçamento das famílias.

Atualmente, uma passagem de Manaus para Fonte Boa custa em média R$ 820, valor que, em alguns períodos, supera tarifas aéreas para destinos como Rio de Janeiro e São Paulo. O cenário afeta principalmente estudantes, pacientes em tratamento de saúde e trabalhadores ribeirinhos que precisam viajar frequentemente entre os municípios.

Além dos preços considerados abusivos, passageiros também reclamam da ausência de fiscalização tanto em lanchas rápidas, conhecidas como “Ajatos”, quanto nos barcos de linha tradicionais que operam no interior do estado.

Combustível agrava crise no setor

O aumento sucessivo no preço dos combustíveis é apontado como um dos fatores que pressionam o transporte hidroviário no Amazonas. Trabalhadores do setor afirmam que o diesel teve alta significativa nos últimos meses, elevando os custos operacionais das viagens.

No Porto da Ceasa, na Zona Leste de Manaus, operadores que fazem travessias para o Careiro relatam que aguardam autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para reajustar as tarifas. Segundo profissionais do setor, uma viagem de ida e volta pode consumir entre R$ 400 e R$ 450 apenas em combustível.

A alta também atinge o interior de forma ainda mais severa. Em alguns municípios amazonenses, o litro da gasolina já se aproxima dos R$ 9, encarecendo não apenas o transporte de passageiros, mas toda a cadeia logística da região.

Especialistas apontam que a realidade geográfica do Amazonas contribui para o aumento dos custos. Longas distâncias, dependência quase total das rotas fluviais e dificuldades de abastecimento tornam o transporte mais caro e refletem diretamente no custo de vida da população.

Enquanto operadores alegam dificuldade para manter as viagens sem reajustes, moradores cobram ações do poder público para garantir tarifas mais acessíveis e maior controle sobre os preços praticados nas embarcações que atendem o interior do estado.


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