Fim da taxa das blusinhas ameaça empregos e indústria, diz CNI

Mundo – A Confederação Nacional da Indústria criticou a decisão do governo federal de extinguir a cobrança de imposto sobre importações de até US$ 50, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Em posicionamento divulgado nesta terça-feira (12), a entidade afirmou que a mudança pode provocar prejuízos à indústria nacional, reduzir empregos e beneficiar fabricantes estrangeiros, principalmente da China.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a isenção cria uma concorrência desigual entre os produtos importados e os fabricados no Brasil. Para ele, permitir a entrada de mercadorias sem tributação favorece diretamente empresas estrangeiras de baixo custo.
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China”, afirmou Alban ao comentar os impactos no setor produtivo brasileiro, especialmente na indústria têxtil.
A entidade defende que a medida representa um retrocesso econômico e pode afetar principalmente micro e pequenas empresas nacionais. De acordo com a CNI, enquanto produtos brasileiros continuam sujeitos à carga tributária interna, os itens importados passam a ter vantagem competitiva ao entrarem no país sem impostos.
Ricardo Alban também argumentou que a decisão enfraquece investimentos e reduz a competitividade da indústria brasileira em um cenário internacional marcado por disputas comerciais e políticas de proteção econômica adotadas por diversos países.
A cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 começou a ser aplicada em 2023 com a incidência do ICMS estadual. Em 2024, passou a incluir uma alíquota federal de 20% sobre importações realizadas por plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.
Segundo levantamento citado pela CNI, a taxação evitou a entrada de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em produtos importados, contribuindo para preservar mais de 135 mil empregos e movimentar quase R$ 20 bilhões na economia brasileira.
A confederação afirmou ainda que não é contrária às importações, mas defende que empresas estrangeiras e nacionais concorram em condições tributárias equivalentes.








