“Taxa da seca” encarece transporte de cargas e preocupa comerciantes diante do risco de aumento nos preços; veja vídeo
Amazonas – A seca no Amazonas voltou a pressionar os custos do transporte de mercadorias e preocupa comerciantes de Manaus. Com o Rio Negro abaixo dos 17 metros, empresas de navegação enfrentam dificuldades operacionais. Além disso, a possibilidade de cobrança de taxas extras aumenta a preocupação do setor.
A chamada “taxa da seca” busca compensar despesas adicionais durante a vazante. Entretanto, sua aplicação depende das regras estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Enquanto algumas transportadoras anunciam custos extraordinários, outras mantêm suas condições comerciais. Por isso, empresários precisam avaliar os contratos e planejar a chegada de novas mercadorias.
Seca no Amazonas aumenta preocupação com transporte de cargas
O nível do Rio Negro chegou a 16,48 metros nesta quinta-feira (5), segundo os registros do Porto de Manaus. Dessa forma, o rio permanece abaixo da referência de 17,70 metros estabelecida para a análise da taxa da seca em 2026.
Durante a estiagem, a redução da profundidade pode limitar a capacidade de carga dos navios. Além disso, algumas operações exigem adaptações nas rotas e na movimentação dos contêineres.
Consequentemente, as empresas podem enfrentar despesas adicionais com transporte, armazenamento e operações portuárias.
Os dados sobre o nível do rio podem ser consultados no monitoramento oficial do Porto de Manaus.
Taxa da seca entra no radar de comerciantes e transportadoras
A cobrança extraordinária é conhecida internacionalmente como Low Water Surcharge (LWS). Em geral, as empresas utilizam essa sobretaxa para compensar custos relacionados às restrições de navegação.
No entanto, a Antaq estabeleceu novas condições para a cobrança em 2026. Agora, as transportadoras precisam apresentar justificativas técnicas e econômicas para os valores solicitados.
Além disso, a agência analisa individualmente os pedidos e pode rejeitar, suspender ou revisar as cobranças.
Segundo a Antaq, o objetivo é evitar sobretaxas sem comprovação adequada dos custos adicionais.
Por outro lado, a regulamentação não representa uma proibição geral da taxa. Assim, a aplicação depende das condições de cada empresa e da análise regulatória.
Em determinados contratos, também podem existir regras comerciais sobre compensações, créditos ou revisões de valores. Entretanto, essas condições não se aplicam automaticamente a todos os clientes.
Comércio de Manaus teme aumento nos preços dos produtos
A seca no Amazonas também preocupa comerciantes que dependem de mercadorias transportadas por navios. Entre os principais setores afetados estão empresas que trabalham com produtos importados.
Isso porque o transporte internacional exige planejamento antecipado e pode envolver longos prazos de entrega. Em determinadas operações, as mercadorias levam cerca de 90 dias para chegar a Manaus.
Além disso, o aumento do custo logístico pode reduzir as margens de lucro dos comerciantes. Dessa forma, algumas empresas precisam rever estratégias de compra e reposição.
Segundo estimativa divulgada pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, a estiagem pode provocar reajustes de 8% a 10% nos preços de determinados produtos.
Entretanto, esses percentuais representam uma projeção do setor comercial, não um aumento confirmado para todas as mercadorias.
Black Friday também preocupa lojistas durante a estiagem
A proximidade da Black Friday aumenta a preocupação de empresários que dependem do transporte fluvial. Afinal, o período costuma exigir estoques maiores para atender ao crescimento das vendas.
Por isso, alguns comerciantes adotam maior cautela na preparação das promoções. A principal preocupação envolve a possibilidade de vender grandes volumes sem conseguir repor os produtos rapidamente.
Além disso, atrasos nas entregas podem comprometer o planejamento das lojas. Consequentemente, empresas precisam equilibrar os preços promocionais com os custos de transporte.
Apesar das dificuldades, o setor comercial não aponta risco imediato de desabastecimento generalizado em Manaus.
Entretanto, a continuidade das restrições de navegação pode exigir novas adaptações logísticas.
Rio Negro apresenta sinais de estabilidade em Manaus
Apesar dos impactos da seca no Amazonas, os dados recentes mostram uma desaceleração da vazante. Segundo o Porto de Manaus, o Rio Negro permaneceu em 16,50 metros entre os dias 1º e 3 de novembro.
Posteriormente, o nível caiu para 16,49 metros na quarta-feira (4). Já nesta quinta-feira (5), a medição registrou 16,48 metros.
Assim, o rio perdeu apenas dois centímetros nos primeiros cinco dias de novembro. O movimento indica uma redução no ritmo de descida das águas.
Além disso, outros rios da região apresentam pequenas oscilações. Entretanto, essas variações ainda não confirmam o encerramento definitivo da vazante.
Por isso, empresas de transporte e comerciantes continuam acompanhando as condições de navegação.
Empresas acompanham nível dos rios e custos de transporte
Enquanto a vazante continua, comerciantes e transportadoras monitoram as condições dos rios amazônicos. Além disso, as empresas precisam acompanhar possíveis alterações nos custos e prazos de entrega.
O cenário reforça a importância de infraestrutura adequada e planejamento antecipado. Dessa maneira, o setor busca reduzir os impactos das oscilações dos rios sobre o abastecimento.
Por fim, a seca no Amazonas mantém em evidência os desafios do transporte de mercadorias na região. Apesar dos sinais de estabilidade do Rio Negro, os custos logísticos ainda exigem atenção.
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