O Rio que alimenta e lucra: O raio-x do setor pesqueiro do Amazonas em 2026

Amazonas – O setor pesqueiro do Amazonas vive hoje uma realidade de “dois mundos”. Enquanto a pesca esportiva bate recordes de faturamento, injetando milhões na economia, a pesca de subsistência e artesanal ainda tenta se recuperar das cicatrizes deixadas pelas secas históricas de 2024 e 2025. O equilíbrio entre o lucro do turismo e a segurança alimentar do ribeirinho é o grande desafio da atual gestão.
Pesca Esportiva: O Gigante de R$ 229 Milhões
A temporada 2025/2026 consolidou o Amazonas como o principal destino de pesca esportiva do mundo. De acordo com dados da Amazonastur, o setor registrou um crescimento de 14,7% em receita direta em relação ao ciclo anterior.
Impacto Econômico: O estado recebeu mais de 35 mil turistas apenas nesta temporada.
A “Capital do Tucunaré”: O município de Barcelos sozinho concentrou quase metade da movimentação, gerando R$ 102,5 milhões.
- Tendência: O crescimento reflete o aumento da conectividade aérea para o interior e a profissionalização dos barcos-hotéis.
Manejo do Pirarucu: O Sucesso da Sustentabilidade
A pesca para comercialização encontrou no manejo sustentável o seu porto seguro. Em 2025, o Ibama autorizou a captura de mais de 19 mil exemplares de pirarucu apenas na Reserva Mamirauá.
Nesse sentido, o sistema de cotas permite que o peixe chegue às feiras de Manaus legalizado e com rastreabilidade. Em Tonantins, o Programa Arapaima, iniciado em 2025, já beneficia centenas de famílias, provando que a preservação gera mais lucro que a pesca predatória.
Sobrevivência e Desafios: A Realidade Ribeirinha
Apesar dos números positivos no turismo, o pescador artesanal enfrenta um cenário de alerta. Dados de abril de 2026 indicam que mais de 62 mil pescadores no Amazonas estão sob advertência do governo federal por pendências no Relatório Anual de Atividade Pesqueira (Reap).
Contudo, o maior inimigo tem sido o clima. Após duas secas severas consecutivas, os estoques pesqueiros nas calhas dos rios Solimões e Negro ainda não se recuperaram totalmente.
Fontes: Amazonastur; Ibama; BNC Amazonas / Governo Federal; Fepesca-AM; Jovem Pan News Manaus








