Privatização é a causa da gasolina a R$ 7,29 em Manaus, afirma presidente do Sindipetro-AM; veja vídeo

Manaus — A escalada no preço dos combustíveis na capital amazonense, onde o litro da gasolina saltou para R$ 7,29, gerou um forte embate político e reacendeu as críticas sobre a venda da antiga Refinaria de Manaus (Reman). Em um vídeo que circula nas redes sociais, o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), Marcus Ribeiro, rebateu declarações do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) e cravou: a culpa da alta é do monopólio privado criado após a privatização.
O embate: “Memória curta ou cara de pau?”
A polêmica começou após o deputado Capitão Alberto Neto publicar um vídeo atribuindo o alto custo da gasolina no Amazonas a conflitos internacionais, como a tensão no Irã, e à carga tributária, que segundo ele varia entre 30% e 35%.
Em resposta, Marcus Ribeiro gravou um vídeo direcionado ao parlamentar, lembrando que o sindicato alertou o gabinete do deputado em Brasília sobre os riscos da venda da refinaria, ocorrida em 2022 durante o governo de Jair Bolsonaro.
“Deputado, o senhor acha que o povo do Amazonas tem memória curta? Nós levamos documentos, estudos técnicos e avisamos: privatizar refinaria vai criar o monopólio privado e o preço vai explodir”, afirmou Ribeiro no vídeo.
O líder sindical acusou o parlamentar de ter ignorado os trabalhadores e apoiado a venda do patrimônio público.
“O senhor ajudou a criar esse monstro que hoje assalta o bolso do motorista de aplicativo, do taxista e do pai e da mãe de família. É muito fácil incendiar a casa e depois aparecer querendo culpar o bombeiro. Assuma a sua responsabilidade”, disparou.
A raiz econômica: De monopólio público a privado
Apesar da tentativa de parte do debate político de atribuir a alta a impostos federais ou à Petrobras, os dados mostram um cenário diferente. Não houve elevação recente de tributos federais — pelo contrário, o governo isentou o PIS/Cofins —, nem reajustes da estatal que justifiquem a disparada exclusiva em Manaus.
Especialistas e dados do setor apontam que a raiz do problema está na estrutura do mercado regional. A venda da Reman (atual Ream – Refinaria da Amazônia) substituiu um monopólio público por um monopólio privado regional. Em um estado com severas barreiras logísticas, a falta de concorrência cria o ambiente ideal para o chamado rentismo (ou rent-seeking): quando os lucros vêm da exploração de uma posição privilegiada de mercado, e não da eficiência produtiva.
Os dados pós-privatização, levantados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), evidenciam a mudança drástica na operação local:
- Queda no refino: O volume de refino na unidade caiu 69,3%.
- Ociosidade: O fator de utilização da refinaria despencou de 70% para cerca de 20%.
- Alta nas importações: A importação de derivados de petróleo cresceu 143,9%.
Essa dinâmica gerou um arranjo logístico contraditório e caro para o Amazonas: o petróleo extraído em Urucu é enviado para outras regiões, enquanto o estado precisa importar combustíveis para abastecer Manaus.
Especulação e fiscalização
O cenário local ecoa uma preocupação nacional. Recentemente, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou os aumentos nas bombas como “sacanagem” e “safadeza” das distribuidoras. Boulos destacou que as empresas não estão pagando mais caro nas refinarias, mas repassando custos ao consumidor por “ganância e especulação”.
Para conter a prática, o governo federal prometeu acionar a Polícia Federal e os Procons em todo o país. Em Manaus, o Procon já iniciou fiscalizações para apurar se os reajustes, que elevaram a gasolina de R$ 6,99 para até R$ 7,29 em 24 horas, configuram prática abusiva.





