Manaus lidera ranking de combustíveis mais caros do país em 2026, aponta ANP
Manaus – A primeira semana de 2026 começou pesando no bolso de quem depende do carro em Manaus. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam a capital amazonense como a líder nacional no preço dos combustíveis entre todas as capitais brasileiras, e com folga.
O levantamento, realizado entre os dias 4 e 10 de janeiro, mostra que tanto a gasolina comum quanto o etanol ultrapassaram os R$ 7 por litro em alguns postos, configurando o pior cenário do país para abastecimento no início do ano.
Gasolina dispara e mantém Manaus no topo
O litro da gasolina comum custou, em média, R$ 7,09 na capital amazonense.
É o valor mais alto entre as capitais monitoradas pela ANP.
O ranking das mais caras é dominado pela Região Norte:
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Manaus – R$ 7,09
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Boa Vista – R$ 6,98
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Rio Branco – R$ 6,94
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Belém – R$ 6,89
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Porto Velho – R$ 6,85
No extremo oposto, Vitória (ES) registrou média de R$ 6,31, quase R$ 0,80 mais barata por litro.
Para motoristas manauaras, a diferença pesa na quilometragem: quem roda 50 litros por semana paga, em média, R$ 40 a mais do que um motorista capixaba para encher o tanque.
Etanol deixa de ser alternativa e vira prejuízo
O etanol hidratado também rompeu o patamar psicológico de preço alto.
Na capital amazonense, o litro chegou a R$ 6,29, novamente o maior valor do país.
O ranking segue praticamente o mesmo da gasolina:
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Rio Branco – R$ 6,09
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Boa Vista – R$ 5,99
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Belém – R$ 5,85
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Porto Velho – R$ 5,79
A comparação com capitais do Sudeste impressiona: em algumas cidades, o litro cai para R$ 4,30, diferença de quase R$ 2.
Na prática, abastecer com etanol não compensa em Manaus, contrariando a lógica do carro flex e ampliando o gasto mensal com combustível.
Por que Manaus paga mais?
Especialistas apontam um conjunto de fatores que encarece o preço final:
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Dependência de transporte fluvial e longas rotas de distribuição
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Fretes sensíveis a variações climáticas
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Custos logísticos maiores que no restante do país
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Carga tributária estadual mais pesada aplicada sobre combustíveis
Mesmo com a volatilidade global do petróleo, o Amazonas tende a levar mais tempo para sentir queda — quando ela ocorre.
Investigação de cartel pressiona postos
O salto nos preços reacendeu uma discussão antiga: há combinação de preços no mercado local?
Para o Ministério Público do Amazonas, a dúvida motivou ação.
Em outubro do ano passado, o MPAM abriu 33 ações civis públicas contra postos suspeitos de cartelização, após dois anos de investigação conduzida pela 51ª Promotoria de Defesa do Consumidor.
O inquérito indica comportamentos típicos de cartel:
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ajustes simultâneos de preços
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valores praticamente idênticos em bairros distintos
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ausência de variação competitiva
Os nomes das empresas não foram revelados, mas, se confirmada a prática, os envolvidos podem ter alvará cassado, pagar multas e responder civilmente.
Motorista fica sem saída no curto prazo
Entre investigação, logística cara e falta de concorrência real, quem sofre é o consumidor.
Motoristas relatam estratégias para driblar o impacto:
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reduzir o uso diário do veículo
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optar por transporte por aplicativo
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dividir caronas
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trocar provisoriamente o carro por moto ou bicicleta
Por ora, analistas consideram improvável uma queda significativa no curto prazo. A tendência é de preços estáveis em alta, com possível alívio apenas no segundo trimestre, caso o mercado internacional e as condições logísticas colaborem.


