Honda, Yamaha e JTZ são as líderes na fabricação de motos na Zona Franca de Manaus; veja

Manaus – Assim como em todo o país, a paixão por motocicletas faz parte do dia a dia de muitos amazonenses. Mas, geralmente, os dados econômicos e industriais divulgados por aí raramente respondem àquelas curiosidades básicas da população e dos consumidores. Afinal, quem realmente está liderando as linhas de montagem na Zona Franca de Manaus? Quem está crescendo? E será que o histórico império da Honda está sendo ameaçado com a chegada de novas fabricantes? É exatamente isso que o CM7 Brasil vai responder agora, destrinchando os dados do último relatório oficial da Abraciclo (edição 2025), enquanto os números fechados de 2026 ainda não saíram.
O Polo de Duas Rodas da Zona Franca encerrou 2024 com números robustos, atingindo a marca de 1.748.317 motocicletas produzidas. O volume representa um salto expressivo em relação às 961 mil unidades registradas em 2020. No entanto, o raio-x do setor revela uma mudança silenciosa nas linhas de montagem locais: o mercado está ficando menos concentrado.

Os dados consolidados mostram que a Honda, líder absoluta e histórica do setor, tem visto sua fatia de mercado encolher. Embora a fabricante tenha saltado de 757 mil motos produzidas em 2020 para mais de 1,3 milhão em 2024, o mercado cresceu em um ritmo ainda mais acelerado, permitindo que a concorrência avançasse.

Entre 2020 e 2024, a participação da Honda caiu de 78,8% para 75,1%. Essa perda de 3,7 pontos percentuais, a mais acentuada dos últimos anos, representa um volume de aproximadamente 61 mil motocicletas que passaram a ser absorvidas por outras marcas instaladas no PIM.

O avanço da concorrência
A principal beneficiada dessa redistribuição foi a Yamaha. A fabricante japonesa consolidou sua vice-liderança e saltou de 16,7% de market share em 2020 para quase 20% (19,8%) em 2024. Hoje, 1 a cada 5 motos produzidas no Brasil sai das esteiras da Yamaha. O fortalecimento do duopólio japonês indica que o consumidor tem buscado novas opções dentro das faixas de baixa e média cilindrada.
Fechando o pódio de produção local, a JTZ aparece com 1,4% de participação (24.074 unidades em 2024), demonstrando um crescimento consistente desde 2021.
Outro fator que colabora para a pulverização do mercado é a chegada de novos players e a expansão de marcas focadas em nichos específicos. O ano de 2024 marcou, por exemplo, o início do registro de produção da indiana Bajaj no PIM, que já estreou abocanhando 0,7% do mercado (11.613 unidades), superando os volumes de marcas tradicionais como Kawasaki e Suzuki. Já a Triumph dobrou sua participação no mesmo período, passando de 0,4% para 0,8%.
O que o brasileiro mais pilota?
Apesar da diversificação de marcas, a preferência nacional nas ruas continua intacta. As motos de baixa cilindrada (até 160 cm³) representam massivos 78,1% de tudo o que é fabricado em Manaus.
No recorte por categoria, os modelos Street (focados no uso urbano diário) dominam as linhas de produção com 855 mil unidades, seguidas de perto pelas motos Trail (de uso misto para asfalto e terra), que fecharam 2024 com quase 345 mil unidades produzidas, refletindo a necessidade do brasileiro por veículos versáteis e econômicos.










