Agro em Campo: Relação Comercial Entre Brasil e Noruega Vai Além do Futebol e Foca na Segurança de Fertilizantes

Mundo – Neste domingo, enquanto as seleções de futebol de Brasil e Noruega se enfrentam nos gramados, os bastidores diplomáticos e econômicos dos dois países revelam uma jogada ensaiada de extrema importância para o agronegócio nacional. Longe dos holofotes esportivos, as duas nações consolidam uma parceria estratégica onde o Brasil atua como o celeiro de alimentos para os noruegueses, enquanto o país europeu garante o fornecimento de insumos vitais para a produtividade das nossas lavouras.
O Brasil ostenta o título de gigante na produção global de alimentos, mas carrega uma vulnerabilidade crônica: a dependência externa de nutrientes para o solo. Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes aplicados nas plantações brasileiras são importados. Com o acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio neste ano, que acendeu o sinal de alerta sobre possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz — canal crucial para o tráfego mundial de gás natural e enxofre —, importadores e tradings brasileiras correram para diversificar seus fornecedores. É nesse cenário de incertezas que a Noruega se fortaleceu como um porto seguro para o abastecimento nacional.

Os números mais recentes do comércio exterior traduzem o peso dessa conexão. Nos primeiros cinco meses de 2026, a troca de mercadorias entre os dois países movimentou US$ 874,4 milhões. O Brasil registrou US$ 504,9 milhões em exportações, enviando principalmente alumina, óleos vegetais, carne bovina, café e frutas, enquanto as importações vindas do território norueguês somaram US$ 369,4 milhões, o que resultou em um saldo positivo de US$ 135,5 milhões para a balança comercial brasileira.
Embora a Noruega não lidere o ranking de maiores parceiros globais do Brasil, sua relevância é cirúrgica na cadeia de suprimentos. Os adubos e fertilizantes químicos representam 15,3% de tudo o que o Brasil compra dos noruegueses, figurando como o segundo item mais importado do país europeu, atrás apenas de aparelhos e instrumentos de medição. Para se ter uma ideia da magnitude desse mercado, os fertilizantes lideram a pauta geral de importações brasileiras em 2026, acumulando gastos de US$ 13,4 bilhões para sustentar as safras nacionais de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
A estabilidade histórica dessa relação, que se mantém firme ao longo da última década acompanhando o ritmo da demanda agrícola nacional, pode ganhar tração extra nos próximos meses devido ao avanço do tratado de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA, o bloco econômico que une Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Após a conclusão das negociações, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em junho e agora segue para votação no Senado Federal.
O pacto prevê a redução drástica de tarifas alfandegárias, a desburocratização dos processos de fronteira e a criação de cotas de exportação com total isenção de impostos. Se ratificado, o acordo promete ampliar significativamente o acesso dos produtores brasileiros ao exigente mercado europeu para embarques de proteína animal, mel e grãos, ao mesmo tempo em que facilitará a entrada de bens industriais e insumos tecnológicos de alta qualidade no Brasil, fortalecendo de vez o ambiente de negócios mútuo.


