Embraer acelera em 2026 com expansão internacional, consolidação produtiva e recuperação comercial; veja vídeo
Brasil – A fabricante brasileira de aeronaves Embraer vive um momento de forte impulso em múltiplas frentes. Após um 2025 marcado por entregas sólidas e recuperação gradual do setor, a companhia avança em iniciativas que reforçam sua posição global: desde a plena integração de sua cadeia de suprimentos até a internacionalização de produtos inovadores e a projeção de crescimento significativo na aviação comercial.
Em janeiro, a Embraer anunciou a aquisição dos 50% restantes da EZAir, joint venture anteriormente compartilhada com a francesa Safran. Com isso, a empresa passa a ter controle total da unidade industrial em Chihuahua, no México, que emprega cerca de 1.100 pessoas e é especializada na produção de interiores para aeronaves. A transação também inclui a incorporação de atividades da Safran Cabin no Brasil relacionadas aos programas da Embraer, embora serviços não vinculados permaneçam com o grupo francês.
A operação fortalece a verticalização da cadeia produtiva, permitindo maior controle sobre componentes estratégicos e alinhando-se à estratégia de expansão em áreas de alta tecnologia. Valores da negociação não foram divulgados, mas a conclusão depende de aprovações regulatórias.
Paralelamente, a Embraer dá passos concretos para levar seu avião agrícola Ipanema – o único pulverizador em série certificado para operar com etanol – além das fronteiras brasileiras. A companhia assinou um memorando de entendimento com a Essential Energy Holding, dona da Bioenergías Agropecuárias, uma usina de etanol de cana-de-açúcar e milho no norte da província de Santa Fé, na Argentina.
O acordo prevê estudos conjuntos sobre o potencial de mercado do Ipanema no país vizinho, condições de abastecimento de biocombustível, infraestrutura de distribuição e viabilidade econômica para produtores rurais locais. O Ipanema, produzido desde 2004 na versão a etanol (e exclusivamente assim desde 2015), oferece redução de custos operacionais e apelo ambiental, com aumento de produtividade agrícola de até 30% em comparação a pulverizadores terrestres.
O diretor de negócios da divisão agrícola, Sany Onofre, destaca que a Argentina representa uma oportunidade promissora, especialmente após contatos iniciais com produtores da América Latina. A Embraer já obteve autorização para operação no Paraguai e aguarda liberação similar na Argentina. O negócio agrícola fatura cerca de US$ 60 milhões anuais (R$ 300 milhões), com potencial de crescimento de 20% a 30% ao abrir mercados regionais.
No segmento comercial, a perspectiva é ainda mais otimista. Em 2025, a Embraer entregou 78 jatos comerciais, dentro da faixa projetada. Para os próximos 24 meses, o plano prevê aumento de cerca de 30% na produção e nas entregas, visando retomar patamares históricos de aproximadamente 100 aeronaves por ano.
O crescimento é impulsionado pela família E2 (especialmente o E195-E2), que quadruplicou as vendas líquidas em 2025 e superou concorrentes como o A220 da Airbus em volume de pedidos. Encomendas de companhias como All Nippon Airways e Latam reforçam a carteira. Gargalos de motores da Pratt & Whitney foram reduzidos significativamente, com aeronaves imobilizadas caindo para um dígito e expectativa de normalização total até o fim de 2026.
Arjan Meijer, CEO da divisão de Aviação Comercial, afirma que a demanda por jatos regionais permanece robusta, mesmo diante de incertezas globais, com foco na renovação de frotas adiadas pela pandemia. A Embraer também monitora oportunidades em mercados emergentes, como a Índia, onde rumores de parcerias industriais circulam.
Essas movimentações demonstram a resiliência e a capacidade de inovação da Embraer em um cenário de recuperação do setor aeroespacial. Com controle ampliado sobre a produção, expansão agrícola sustentável e aceleração comercial, a companhia brasileira se posiciona para um 2026 de consolidação e crescimento acelerado.


