Wilson Lima tenta inviabilizar candidaturas do PL e Maria do Carmo reage denunciando transporte de dinheiro em aviões do Governo
Manaus – O cenário pré-eleitoral do Amazonas foi sacudido na manhã deste sábado, 14 de fevereiro de 2026, por uma guerra aberta entre o governo estadual e a oposição. Em uma manobra política articulada diretamente de Brasília, o governador Wilson Lima (União Brasil) intensificou as movimentações para cooptar o Partido Liberal (PL) e, com isso, inviabilizar as candidaturas majoritárias já lançadas pela legenda: a da Professora Maria do Carmo ao Governo e a do Capitão Alberto Neto ao Senado. A resposta da pré-candidata não tardou e veio na forma de uma grave denúncia protocolada junto ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), expondo um suposto esquema de uso de aeronaves oficiais para o transporte de dinheiro em espécie.
A ofensiva jurídica de Maria do Carmo surge como um ato de legítima defesa política diante da tentativa de asfixia de sua chapa. Enquanto Lima atua nos bastidores para retirar a legenda da oposição, a professora trouxe a público detalhes alarmantes baseados no depoimento do piloto Mauro Mattosinho. O aviador, que decidiu delatar operações realizadas desde o ano passado, relata que voos em jatos particulares, supostamente a serviço de agendas governamentais do Amazonas e de Alagoas, eram utilizados para transportar malas de dinheiro. Segundo a denúncia, esses valores eram ironicamente tratados pelos envolvidos no esquema sob o codinome de “cargas perigosas”.
A Notícia Fato, apresentada pela equipe jurídica da pré-candidata na sexta-feira, exige a abertura imediata de um procedimento investigatório criminal. O documento solicita que o MPAM apure a existência de contratos ou empenhos entre o Estado e a empresa Taxi Aéreo Piracicaba, além de investigar a origem e o destino dos pagamentos em espécie e a identidade dos intermediários que operavam a logística. A acusação sugere que a estrutura aérea paga com recursos ou interesses públicos estaria servindo a fins ilícitos, com citações que envolvem desde esquemas no Banco Master até a menção de organizações criminosas.
Em vídeo divulgado nas redes sociais para explicar a denúncia, Maria do Carmo não poupou ataques à motivação política de Wilson Lima. A pré-candidata questionou se o eleitor votaria em um político que busca a reeleição ou a manutenção de poder apenas para evitar a prisão, sugerindo que as manobras contra sua candidatura são fruto de desespero jurídico do adversário. A narrativa da oposição conecta a tentativa de golpe partidário no PL ao medo de que novas lideranças assumam o poder e abram as caixas-pretas da atual administração.
Para encerrar sua manifestação, a opositora recorreu a uma ironia ácida, relembrando um dos episódios mais críticos da gestão Wilson Lima durante a pandemia. Ao desafiar o governador, ela citou um “brinde com vinho de uma loja que certamente não compra respiradores”, fazendo alusão direta ao escândalo da compra de equipamentos hospitalares em uma adega, caso que marcou negativamente a administração estadual. Até o fechamento desta matéria, o governo do Estado não havia emitido nota oficial sobre as acusações de interferência no PL ou sobre a denúncia do transporte de valores.




