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Vorcaro fez festa de luxo regada à luxúria com 120 mulheres para 20 homens: entre os convidados, ministros do STF, senadores e deputados; veja vídeo

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Vorcaro fez festa de luxo regada à luxúria com 120 mulheres para 20 homens: entre os convidados, ministros do STF, senadores e deputados; veja vídeo

Brasil – Quando as pesadas portas da emblemática boate Madame Satã, na região da Bela Vista, centro de São Paulo, se fecharam na noite de 24 de outubro de 2023, o que se desenrolou em seu interior estava longe de ser uma simples e inocente festa de Halloween. O evento, arquitetado nos mínimos detalhes por Daniel Vorcaro — banqueiro e fundador do Banco Master, alvo recente e preso na Operação Compliance Zero da Polícia Federal —, revelou-se um verdadeiro enclave de excessos. Mais do que uma comemoração de Dia das Bruxas ao som de música eletrônica, a noite funcionou como um ímã para a cúpula da política nacional, atraída por uma promessa de sigilo absoluto, luxúria e uma proporção estatisticamente desenhada para impressionar os convidados: 120 mulheres para apenas 20 homens.

As mensagens interceptadas pela Polícia Federal e reveladas por reportagens da revista Piauí e do site Fatos Online escancaram a engrenagem por trás dessa exclusividade. Para garantir o sucesso e a “qualidade” da noite, Vorcaro não poupou esforços. Ele contou com os serviços do promoter Tiago Polo, cuja missão era o recrutamento das 120 convidadas. Não se tratava de uma lista aleatória. As conversas apreendidas citam explicitamente contatos com as maiores agências de modelos do país, como Mega, Ford e Joy.

A exigência do anfitrião milionário era clara, crua e devidamente documentada no WhatsApp: “Só menina nova. Metade de fora e as daqui conhecemos”. A preferência por modelos estrangeiras tinha um propósito duplo. Além do inegável apelo estético voltado ao seleto grupo masculino de vips, as estrangeiras representavam um risco muito menor de vazamento, uma vez que estariam alheias aos rostos conhecidos do poder em Brasília. O ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, que atuou como braço direito de Vorcaro na articulação política do evento, endossou a tática de trazer mulheres de fora. O assédio pelas convidadas internacionais era tamanho que Faria chegou a relatar a Vorcaro a ansiedade de autoridades: “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer”.

Se o promoter cuidava do elenco feminino, Fábio Faria operava como o grande relações-públicas institucional da festa, encarregado de atrair os pesos-pesados da República. As trocas de mensagens formam um desfile de nomes que figuram no topo da hierarquia dos Três Poderes. Faria relatou a Vorcaro que as presenças do senador Davi Alcolumbre e do atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, estavam garantidas. “Davi e Pacheco fechado para terça”, assegurou Faria, acrescentando: “Chamei Toffoli tb”, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Em outro momento, cita a ausência de Ciro Nogueira por motivo de viagem.

O esforço para garantir um ambiente livre de amarras para esses figurões era descomunal. Em um áudio transcrito pela PF, Faria expõe a tática de criar álibis para que os políticos pudessem mergulhar na noite paulistana sem deixar rastros na capital federal: “Eu, por exemplo, estou falando que vou dormir em Brasília, entendeu? É só pra dar confiança pros caras. Falou, pro Arthur [Lira], todo mundo, pô, vai trazer todo mundo”. Faria ousava ainda mais alto nas expectativas de convidados de peso: “Mandei aqui pro Toffoli. Pô, dá até para trazer o Alexandre numa dessa, entendeu?”, sugerindo uma investida para levar o ministro Alexandre de Moraes. Havia também espaço para empresários de peso; as conversas citam supostas autorizações para convidar “Wesley” e um certo “MV” (Marcos Vinícius Furtado Coêlho, ex-presidente da OAB e advogado).

Para que o panteão de Brasília desfrutasse de uma festa regada a luxo com seis mulheres para cada homem, o celular tornou-se o inimigo número um. Vorcaro instituiu um protocolo estrito de “apagão digital”. O recolhimento dos aparelhos na entrada era obrigatório, uma exigência para blindar a imagem dos presentes. “Zero stress” e “sem tel total”, prometeu o banqueiro a Faria. Contudo, a blindagem falhou no dia seguinte. O vazamento de um vídeo da festa no TikTok, publicado por uma das convidadas, gerou pânico. Irritado, Vorcaro teria acionado sua estrutura de segurança privada para coagir a retirada do material e varrer da internet qualquer menção ao evento, provando que, para os donos do poder, a imagem pública de austeridade deve ser mantida.

O glamour clandestino, no entanto, esbarrou nas investigações da Polícia Federal, e o caso chegou a ser alvo de uma notícia-crime apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) ao Ministério Público. Assim que os diálogos vieram à tona, a reação em cadeia foi de negação absoluta. Fábio Faria tentou minimizar seu papel, afirmando ter apenas repassado convites a amigos em comum para um “evento privado”.

As instâncias máximas citadas também rechaçaram qualquer envolvimento de forma incisiva. O ministro Dias Toffoli negou categoricamente ter comparecido à Madame Satã. Os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco emitiram notas afirmando que estavam cumprindo agenda de trabalho no Senado, a centenas de quilômetros de distância. A assessoria da J&F declarou que Wesley Batista jamais participou de festas de Vorcaro, e o advogado Marcos Vinícius negou ser o “MV” das mensagens.

A despeito das firmes negativas oficiais sobre o comparecimento físico, o relatório da Polícia Federal expõe muito mais do que a simples logística de uma balada na Bela Vista. As mensagens apreendidas oferecem uma radiografia incômoda de um mundo paralelo onde o grande capital financeiro flerta abertamente com as altas esferas da República. Um ecossistema velado onde banqueiros funcionam como anfitriões do excesso, políticos atuam como pontes para o poder, e centenas de mulheres jovens são escaladas como atrativos para garantir o “conforto” daqueles que, durante o dia, decidem os rumos políticos e econômicos do Brasil. No escurinho da boate, o poder sonha com a invisibilidade.


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