“Safadeza tem até CNPJ”: Vereador Rodrigo Guedes fez pagamentos para empresa que foi alvo da PF por utilizar IA para forjar ataques contra opositores no AM

Manaus – A transparência dos gastos públicos em Manaus revela um cenário de profunda contradição política envolvendo o vereador de oposição Rodrigo Guedes. Documentos obtidos através do Portal da Transparência mostram que o parlamentar destinou recursos significativos de sua cota de gabinete para a empresa Sacada Publicidade LTDA ao longo de 2025. O fato ganha contornos graves porque esta mesma agência foi a protagonista da Operação Nirmata, deflagrada pela Polícia Federal como a primeira investigação do Brasil a combater crimes de Inteligência Artificial (IA) em contexto político, após forjar áudios para manipular a opinião pública.

O histórico da investigação federal aponta que a empresa (CNPJ:02.723.414/0001-74) de propriedade do publicitário Sabá Noronha, esteve envolvida na criação de um deepfake criminoso que simulava a voz do então prefeito de Manaus, David Almeida, para desferir ataques aos professores da rede municipal em dezembro de 2023. Enquanto o prefeito foi vítima direta de uma tecnologia utilizada para criar narrativas falsas e desestabilizar a gestão, o vereador Rodrigo Guedes, que frequentemente utiliza suas redes sociais para acusar o grupo político da prefeitura de práticas de desinformação, aparece agora como um dos principais sustentadores financeiros da agência investigada pela PF.
Os dados financeiros registrados em 2025 detalham um vínculo constante. Notas fiscais sequenciais mostram pagamentos mensais que variam entre R$ 6.500,00 e R$ 7.000,00 por supostos serviços de “Assessoria e Consultoria Técnica”. Essa relação financeira recente, ocorrida após a agência ter sido alvo de busca e apreensão e ter seus equipamentos periciados pela Polícia Federal, levanta questionamentos urgentes sobre a ética no uso do dinheiro público e a real origem das narrativas difundidas pela oposição na capital amazonense.









Não é a primeira vez
A situação traz à tona um episódio emblemático de ruptura na oposição manauara. O atual deputado federal Amom Mandel, quando ainda dividia as bancadas da Câmara Municipal com Guedes, chegou a acusar publicamente o colega de manter um “gabinete do ódio”. Na ocasião, Mandel denunciou que o vereador utilizava recursos da verba parlamentar, o chamado Cotão, para contratar empresas de mídia que produziam notícias falsas contra parlamentares do Amazonas. A troca de acusações entre os vereadores foi marcada por Mandel insinuando que Guedes operava uma “dobradinha” com grupos específicos para aprovar requerimentos enquanto sustentava uma rede de ataques pessoais. Na época, Amom citou que Guedes operava de modo muito parecido, mas com outra empresa, com o nome ONDE MANAUS COMUNICACAO E PUBLICIDADE EIRELI (08.648.329/0001-75), chegando a citar a célebre frase: “No Amazonas, safadeza tem até CNPJ”.
Naquele tempo, Guedes negou as acusações e revidou atacando Amom Mandel, alegando ser vítima de tráfico de influência e tentativas de extorsão por meio de Tribunais e Órgãos de Controle, mas o rótulo de “gabinete do ódio” agora ganha novos elementos comprobatórios com os dados do Portal da Transparência. A manutenção de pagamentos para uma empresa que inaugurou o crime de IA política no país reforça as suspeitas de que a estrutura de assessoria do vereador pode estar sendo utilizada para a criação e propagação de conteúdos fraudulentos e narrativas criminosas sob o pretexto de consultoria técnica.
Diante do histórico da Sacada Publicidade em forjar materiais e divulgar conteúdos fraudulentos na mídia, surge a dúvida sobre qual é a real natureza dos serviços prestados ao gabinete de Rodrigo Guedes. No atual cenário de guerra digital, onde a desinformação é usada como ferramenta de poder, a sociedade precisa de garantias de que o dinheiro do contribuinte não está sendo utilizado para financiar a criação de novas narrativas criminosas. O fato de um vereador que se diz paladino da verdade sustentar a agência que inaugurou o crime de IA política no país é um paradoxo que exige explicações claras aos eleitores de Manaus.








