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O pacto pelo poder: o plano de Alessandra Campelo e Adjuto Afonso para favorecer Roberto Cidade nas eleições de 2026

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O pacto pelo poder: o plano de Alessandra Campelo e Adjuto Afonso para favorecer Roberto Cidade nas eleições de 2026

Manaus – A indefinição sobre a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) deixou de ser apenas uma questão administrativa e passou a ocupar o centro do debate político estadual. Enquanto a escolha do novo presidente permanece sem data para acontecer, deputados, lideranças partidárias e observadores da cena política acompanham um cenário que, na prática, beneficia o grupo que atualmente concentra o comando dos principais espaços de poder no Amazonas.

De um lado está o governador Roberto Cidade. Do outro, o presidente interino da Aleam, Adjuto Afonso. Ambos pertencem ao mesmo grupo político e hoje exercem influência direta sobre os dois principais centros de decisão do estado: o Executivo e o Legislativo.

Embora oficialmente a demora seja atribuída à busca por consenso entre os parlamentares, nos bastidores cresce a avaliação de que a manutenção do atual cenário produz vantagens políticas importantes para o grupo governista em pleno ano eleitoral.

Aleam sem definição e governo sem resistência

A permanência de Adjuto Afonso na presidência interina da Assembleia garante estabilidade ao grupo que controla o Palácio do Governo. Sem uma disputa interna pela presidência da Casa, evita-se o surgimento de novos polos de poder capazes de desafiar a atual correlação de forças.

Na prática, o comando interino mantém sob controle a pauta legislativa, o ritmo das votações e a condução dos debates parlamentares. Enquanto isso, projetos estratégicos seguem aguardando definição e a Assembleia opera em um ambiente de relativa calmaria política.

Analistas observam que a ausência de uma eleição definitiva impede o surgimento de disputas públicas entre deputados da base governista. Uma eleição neste momento poderia dividir aliados, criar grupos rivais e gerar desgastes justamente às vésperas das eleições de outubro.

A consequência é um cenário de unidade forçada. Sem a disputa pela presidência, as divergências permanecem nos bastidores e a base política segue concentrada em um objetivo maior: a manutenção do projeto de poder atualmente instalado no estado.

Presidência da Aleam vira ativo político valioso

Outro fator que chama atenção é o valor estratégico da própria presidência da Assembleia. Sem uma definição imediata, o cargo se transforma em uma poderosa moeda de negociação política.

Nos bastidores, a promessa de apoio futuro para o comando definitivo da Casa pode servir como instrumento de articulação com deputados, partidos e grupos políticos que ainda negociam posicionamentos para a disputa eleitoral.

A lógica é simples: enquanto a cadeira permanece sem dono definitivo, ela continua sendo um ativo capaz de produzir acordos e ampliar alianças.

Parlamentares ouvidos reservadamente admitem que uma eleição neste momento encerraria um importante instrumento de negociação que poderá ser utilizado após o resultado das urnas.

Governo ganha tempo para ampliar presença no interior

Enquanto a Assembleia permanece em compasso de espera, Roberto Cidade ocupa uma posição privilegiada no tabuleiro político estadual. Como governador, passou a contar com uma estrutura institucional muito mais ampla do que possuía quando presidia o Legislativo.

A máquina administrativa oferece visibilidade, presença nos municípios e capacidade de executar ações de governo que naturalmente produzem repercussão política. Obras, convênios, programas e entregas públicas ampliam a presença do governo em todas as regiões do Amazonas.

Nesse contexto, a manutenção do atual cenário na Aleam reduz ruídos internos e permite que o foco político permaneça voltado para a agenda do Executivo.

A combinação entre um governo em plena atividade e uma Assembleia sem disputa interna relevante tem levado adversários políticos a questionarem se a demora na eleição da Mesa Diretora é apenas resultado de negociações inconclusas ou parte de uma estratégia de preservação de poder.

Até o momento, não há manifestação pública das lideranças envolvidas indicando quando a eleição será realizada. Enquanto isso, a indefinição continua beneficiando aqueles que já ocupam as posições mais influentes da política amazonense.


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