Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
28º

QR Code, CPF e “líder de zona”: Campanha de Wilson Lima é alvo de denúncia por obrigar servidores da AADESAM a participar de mobilizações

Compartilhe
QR Code, CPF e “líder de zona”: Campanha de Wilson Lima é alvo de denúncia por obrigar servidores da AADESAM a participar de mobilizações

Amazonas – A campanha do candidato ao Senado pelo Amazonas Wilson Lima (União Brasil) foi alvo de uma denúncia apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) por suposta mobilização de servidores da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) para participação em atos políticos e pelo possível controle da presença dos participantes por meio de um sistema online. A denúncia foi divulgada pelo R7.com

A denúncia aponta que a estrutura de órgãos estaduais teria sido utilizada para mobilizar servidores em atividades de campanha de Wilson Lima e de sua coligação. Entre os elementos apresentados à Justiça Eleitoral está um QR Code exibido durante um bandeiraço realizado em Manaus, no dia 22 de agosto.

Segundo a denúncia, o código direcionava os participantes para o site “AtivaAM”, que solicitava informações como CPF, zona eleitoral e bairro, além de exigir a aprovação de um chamado “líder de zona” para liberar o acesso.

O domínio teria sido registrado quatro dias antes do evento, com os dados do titular ocultos, e teria saído do ar horas depois de o sistema ser identificado. A suspeita apresentada à Justiça é de que a ferramenta pudesse ser utilizada para identificar e controlar quais servidores e colaboradores de secretarias e órgãos estaduais participaram do ato e realizaram publicações nas redes sociais em apoio ao candidato.

A denúncia também cita mensagens compartilhadas em um grupo de aplicativo chamado “Eventos – Time Turbo”. Em uma das mensagens, uma usuária identificada pelo nome de um setor da AADESAM teria orientado os participantes: “quando chegar, vem aqui comigo registrar a presença de vocês no QR Code”.

Justiça determina preservação de dados

Diante das alegações, a Justiça Eleitoral autorizou parcialmente uma medida cautelar, principalmente para garantir a preservação dos dados relacionados ao site mencionado na denúncia.

A medida poderá permitir que, no decorrer da investigação, sejam analisados os registros de acesso e os cadastros realizados na plataforma. O objetivo é verificar se houve participação de servidores e se, eventualmente, algum tipo de vantagem teria sido oferecida aos participantes, seja dentro da própria agência ou por meio de recursos financeiros.

A representação apresentada ao TRE-AM também aponta suspeitas envolvendo, além da AADESAM, outros 12 órgãos e entidades ligados ao Governo do Amazonas. A alegação é de que funcionários públicos e ocupantes de cargos comissionados teriam sido mobilizados para participar de atos da campanha de Wilson Lima, com registro de presença por meio de plataformas digitais.

A Justiça Eleitoral já havia determinado, em outro caso, a preservação de dados de órgãos estaduais diante de denúncias sobre suposto uso da estrutura governamental nas campanhas de Wilson Lima e Roberto Cidade. A decisão citou, entre outros elementos, as plataformas AtivaAM e Agenda+ e o uso de QR Codes para cadastro e acompanhamento de participantes.

AADESAM também está no centro da Operação Combustão

A denúncia ocorre no mesmo dia em que a AADESAM foi alvo da Operação Combustão, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (24).

Segundo a PF, a operação investiga um suposto esquema envolvendo recursos provenientes de contratos firmados pela AADESAM, com posterior circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos fatos investigados. A apuração está relacionada às eleições de 2022 e envolve suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular.

A Justiça Eleitoral autorizou seis mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de mais de R$ 17 milhões em bens e valores dos investigados. Entre os possíveis crimes investigados estão organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.

Um dos nomes relacionados à investigação é José Nilmar Alves de Oliveira, ex-presidente da AADESAM e candidato pelo PL nas eleições de 2022. Documentos relacionados à operação também mencionam movimentações financeiras analisadas pela PF durante o período eleitoral daquele ano.

É importante destacar que a Operação Combustão investiga fatos relacionados às eleições de 2022, enquanto a denúncia envolvendo a campanha de Wilson Lima trata do atual processo eleitoral de 2026. A PF, em sua comunicação oficial sobre a operação, não relacionou a investigação de 2022 à atual campanha eleitoral.

Movimentação de servidores também está sob investigação

A AADESAM já havia entrado no radar da Justiça Eleitoral neste ano por causa de uma movimentação considerada atípica no quadro de funcionários.Segundo a denúncia, entre os dias 1º e 3 de julho, foram registradas 461 demissões e 140 admissões. O Ministério Público Eleitoral passou a apurar se as alterações poderiam ter relação com as restrições impostas pela legislação eleitoral.

Em agosto, a Justiça Eleitoral determinou a reintegração dos 461 trabalhadores e suspendeu novas contratações e dispensas relacionadas ao período investigado. Também foi determinada a preservação de documentos e registros referentes às movimentações de pessoal.

As apurações sobre o suposto uso da estrutura pública em atividades eleitorais e sobre a eventual participação de servidores ainda estão em andamento. A existência das denúncias e das medidas cautelares não representa, por si só, uma conclusão de responsabilidade ou condenação dos envolvidos.

Com informações de R7.com


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post

Carregar mais