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“Propaganda eleitoral antecipada”: oposição denuncia desfile de samba que homenageia presidente Lula

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“Propaganda eleitoral antecipada”: oposição denuncia desfile de samba que homenageia presidente Lula

Brasil – A oposição política ao governo federal intensificou suas ações judiciais para tentar impedir que a escola de samba Acadêmicos de Niterói realize seu desfile no Carnaval de 2026 com o enredo dedicado à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A agremiação, que estreia no Grupo Especial da Marquês de Sapucaí, escolheu o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, transformando a vida do atual chefe do Executivo em samba-enredo, com versos que celebram sua origem humilde no interior de Pernambuco, a luta sindical e o legado de esperança e justiça social.

O samba oficial, composto por nomes como Teresa Cristina, André Diniz e outros sambistas renomados, traz refrão marcante que ecoa “Olê, olê, olê, olá, vai passar nessa avenida mais um samba popular / Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”, misturando emoção popular com elementos biográficos que narram desde a infância em terras secas até a ascensão como símbolo de superação para milhões de brasileiros.

A polêmica ganhou força nos últimos dias. Parlamentares do PL, incluindo o senador Bruno Bonetti (suplente de Romário) e o deputado Anderson Moraes, ambos do Rio de Janeiro, entraram com uma ação popular na Justiça Federal questionando o uso de recursos públicos federais no evento. Eles apontam supostas irregularidades em um termo de colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), alegando que verbas públicas estariam sendo direcionadas para uma homenagem a um governante em exercício, o que violaria princípios de impessoalidade e neutralidade.

Paralelamente, o Partido Novo protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula, o PT e a própria escola de samba. A legenda acusa os envolvidos de propaganda eleitoral antecipada, argumentando que o enredo ultrapassa os limites de uma celebração cultural e se configura como peça de pré-campanha, associando a figura de Lula a elementos típicos de disputas eleitorais. O pedido inclui tutela de urgência para barrar o desfile, proibir o uso de imagens, sons ou trechos do samba em qualquer material de propaganda partidária, além da aplicação de multa milionária — na casa de quase R$ 10 milhões, conforme o valor econômico estimado na petição.

O senador Bonetti também apresentou no Senado um projeto de lei que visa proibir explicitamente o emprego de recursos federais em desfiles carnavalescos que homenageiem autoridades em exercício, ampliando o debate para o âmbito legislativo.

A Acadêmicos de Niterói, por sua vez, defende o enredo como expressão legítima da cultura popular brasileira, destacando que o samba-enredo é uma forma tradicional de contar histórias de vida e resistência. A escola abrirá os desfiles do domingo de Carnaval, e o caso já divide opiniões: enquanto apoiadores veem na homenagem um reconhecimento merecido a uma figura histórica, críticos alertam para o risco de instrumentalização política em período pré-eleitoral.

Com o Carnaval se aproximando rapidamente, a decisão judicial — que pode chegar ao TSE em instância superior — definirá se o “operário do Brasil” entrará na avenida como enredo oficial ou se a polêmica resultará em veto de última hora. O desfecho pode marcar não só o desfile, mas também o tom das disputas políticas que se intensificam rumo às eleições de 2026.


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