Preso pela PF acusado de desviar dinheiro durante a pandemia, Marcellus Campêlo defende Cidade e prega “continuidade” do grupo de Wilson Lima
Amazonas – Em entrevista a um blog que é financiado com dinheiro do Governo do Estado, o candidato a deputado estadual e segundo vice-presidente do União Brasil, Marcellus Campêlo, saiu em defesa de Roberto Cidade e tentou apresentar os cinco meses da atual gestão como um período de avanços e estabilidade. Porém, Campêlo, que inclusive já foi preso pela Polícia Federal, está longe de ser um observador independente. Além de ocupar cargo na direção do partido, ele é candidato pelo mesmo grupo político de Cidade e Wilson Lima.
Em agosto, Cidade e Wilson participaram juntos do lançamento da campanha de Campêlo, e o próprio ex-secretário já declarou que participou ativamente das campanhas de Wilson Lima.
Na entrevista, Campêlo afirmou que Cidade conduziu o governo “com êxito”, conseguiu dar “continuidade” às ações e classificou parte das críticas à gestão como “narrativas” de período eleitoral. No final, deixou explícito o interesse político: disse acreditar que Cidade “merece ser governador” e que seu grupo está trabalhando pela reeleição dele.
A trajetória de Campêlo no governo Wilson também inclui um episódio que marcou a pandemia. Em junho de 2021, quando era secretário estadual de Saúde, ele foi preso temporariamente pela Polícia Federal no Aeroporto de Manaus durante a Operação Sangria, investigação que apurava suspeitas de desvios e irregularidades na Saúde do Amazonas.
Depois disso, Campêlo ainda voltou ao primeiro escalão de Wilson Lima, assumindo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano em 2023. Hoje, disputa uma cadeira na Aleam enquanto faz campanha ao lado de Cidade e Wilson.
Por isso, quando Campêlo fala em “continuidade”, a declaração pode ter efeito contrário ao pretendido. Diante do histórico já citado e de sua ligação direta com o grupo de Wilson Lima e Roberto Cidade, fica para o eleitor o questionamento sobre que legitimidade política Campêlo tem para se apresentar como avalista de uma gestão que ele próprio integra e defende. Em vez de reforçar a imagem de renovação de Cidade, a fala acaba trazendo novamente para o debate justamente os personagens e episódios dos quais o governador tenta se afastar na reta final da eleição.
Diante desse passado, o eleitor pode questionar qual é o peso político e a credibilidade de Campêlo para se colocar como defensor e avaliador da atual gestão, especialmente quando ele pertence ao mesmo grupo de Wilson Lima e Roberto Cidade e trabalha pela eleição de Cidade.



