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Pesquisa sem registro da AtlasIntel para o Senado do Amazonas levanta suspeitas e pode gerar punições do TSE

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Pesquisa sem registro da AtlasIntel para o Senado do Amazonas levanta suspeitas e pode gerar punições do TSE

Amazonas – A divulgação, nesta semana, de uma suposta pesquisa eleitoral para o Senado no Amazonas acende alerta ao público e à Justiça Eleitoral, por não ter sido registrada como exige a legislação. A irregularidade coloca em dúvida a confiabilidade dos dados e evidencia o risco de circulação de informações eleitorais não autorizadas.

A falta de registro correspondente para o levantamento atribuído à empresa AtlasIntel configura uma irregularidade grave e pode gerar punições para veículos de comunicação que reproduzam os números.

No caso do Partido Liberal no Amazonas (PL-AM), a divulgação da pesquisa sem registro oficial para o Senado no Amazonas pode ter sido motivada pelo desespero em melhorar a narrativa sobre a disputa local, mas o preço é a violação de normas que garantem transparência e credibilidade ao processo eleitoral.

A AtlasIntel é uma empresa brasileira que realiza pesquisa de mercado e ciência de dados, conhecida por utilizar metodologias digitais. Apesar da sofisticação tecnológica, a confiabilidade da empresa já vem sendo questionada, especialmente após a última pesquisa divulgada para o Senado do Amazonas.

Regras do TSE

Ao consultar o site oficial do TSE, constata-se que, para as eleições gerais de 2026 no Amazonas, existe apenas um registro de pesquisa da AtlasIntel, sendo um estudo voltado para o governo do estado, registrado em 10 de março e com divulgação prevista para 16 de março, realizado entre os dias 10 e 15. No entanto, ao buscar informações sobre pesquisas para o Senado, não há nenhum documento comprovando que a pesquisa teria sido registrada, o que caracteriza irregularidade legal.

A medida de restrição à divulgação de pesquisas não registradas tem respaldo na lei eleitoral. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou que, de acordo com o artigo 33 da Lei nº 9.504/1997 e o artigo 2º da Resolução TSE nº 23.600/2019, toda pesquisa de opinião sobre eleições deve ser registrada com antecedência mínima de cinco dias, a partir de 1º de janeiro do ano eleitoral.

O Tribunal considera que a divulgação de levantamento não registrado representa risco à formação da opinião pública, independentemente de o conteúdo ser posteriormente retirado, ressaltando ainda que empresas brasileiras ou estrangeiras estão obrigadas a seguir a legislação eleitoral sempre que suas ações possam impactar o pleito.

Erros internacionais

Além do Brasil, jornalistas internacionais já começaram a questionar a AtlasIntel. Ricardo González Duque, analista político colombiano e autor no portal La Silla Vacía, expôs em sua conta no X (antigo Twitter) como a empresa opera e chamou atenção para a metodologia aplicada, que, apesar de inovadora, carece de transparência em registros oficiais.

González divulgou que a Atlas errou feio os resultados de uma pesquisa eleitoral: previu 12% dos votos para a Gran Consulta e a Frente por la Vida, mas, na hora da contagem oficial, os números foram muito diferentes. A Gran Consulta teve 5,8 milhões de votos (bem mais do que a Atlas previu) e a Frente por la Vida, 595 mil (bem menos). A empresa disse que “corrigiu” os dados depois, mas o Conselho Nacional de Eleitores confirmou que a pesquisa foi a mais imprecisa entre cinco levantamentos.

Até o portal La Silla Vacía, que já tinha parceria com a Atlas, foi enganado e apresentou o estudo como confiável. Esse tipo de erro também aconteceu com a Atlas em eleições na Bolívia, Colômbia e Argentina, com diferenças enormes entre a previsão e o resultado real.

Risco à opinião pública

Enquanto isso, alguns meios de comunicação continuam repercutindo dados não registrados, o que configura uma prática ilegal. A situação expõe o perigo de se formar opinião pública com base em pesquisas que não passam pelo crivo da Justiça Eleitoral, especialmente em um ano de eleições gerais.


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