Operação vazada: David Almeida acusa Omar Aziz de mostrar investigação meses antes para fazer chantagem e forçar apoio eleitoral
Manaus – O cenário político do Amazonas foi marcado por declarações explosivas durante a coletiva de imprensa do prefeito de Manaus, David Almeida nesta segunda-feira (23/2). Ao abordar a recente Operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil e que resultou na prisão de sua secretária de confiança, Anabela Cardoso Freitas, o chefe do Executivo municipal apontou os holofotes para o senador Omar Aziz, acusando-o de usar informações sigilosas como instrumento de chantagem e pressão política.
O rompimento entre os dois líderes políticos ganhou contornos de denúncia. Segundo David Almeida, o uso do aparato estatal tem como objetivo central inviabilizar sua pré-candidatura e manchar sua imagem perante o eleitorado.
A revelação mais contundente da coletiva tratou do conhecimento prévio sobre a ação policial. O prefeito relatou que a investigação, que veio a público recentemente, já era usada nos bastidores políticos meses antes.
“Vocês sabem quando eu soube dessa operação? No dia 24 de outubro, aniversário de Manaus (…). Eu soube dessa operação na casa do senador Omar Aziz. Ele me mostrou. E o governador Wilson Lima também sabia”, revelou o prefeito.
Conforme o prefeito, esse episódio foi o fator determinante para a retirada do seu apoio à candidatura do senador. Ao ser questionado sobre o distanciamento de Aziz, Almeida foi categórico em relação à tentativa de coerção: “Eu me senti intimidado e me senti ameaçado. Eu não poderia ficar ao lado de alguém que poderia usar algo para tentar me ameaçar”.
Além das acusações contra o senador, David Almeida desqualificou o mérito da Operação “Erga Omnes”, alegando desvio de finalidade. Embora a investigação tivesse supostamente como alvo o combate ao tráfico de drogas e ao Comando Vermelho, o prefeito destacou a total ausência de resultados ligados ao crime organizado.
Falta de apreensões: “Que operação é essa que não prendeu um traficante? Não apresentou um carro apreendido? Não apresentou um quilo de drogas, não mostrou lá uma apreensão de dinheiro como todas as outras?”, indagou.
Foco desviado: Almeida relatou que o dono da agência de viagens investigada foi submetido a 20 perguntas, das quais 19 eram sobre a vida pessoal e familiar do próprio prefeito, e não sobre facções criminosas. “Eles não estão interessados em investigar tráfico de droga nenhum. Eles estão tentando é me sujar”, cravou.
Segundo David Almeida, a prisão de sua secretária, Anabela, carece de fundamentos jurídicos, sendo motivada apenas pelo fato de ela comprar passagens aéreas na agência investigada. Ele defendeu a licitude da movimentação financeira da servidora, explicando que os R$ 1,3 milhão movimentados em cinco anos são compatíveis com sua renda, que engloba pensão de ex-deputado e salários como investigadora e servidora municipal, totalizando cerca de R$ 70 mil mensais.
Para evidenciar o que chamou de “instrumentalização” da polícia, o prefeito comparou o histórico de sua gestão com o da atual administração estadual. Conforme o prefeito, enquanto a Prefeitura de Manaus mantém suas contas aprovadas e não possui investigações federais em seis anos, o Governo do Estado “já teve 11 operações da Polícia Federal”.
“Quem quer sujar são aqueles que estão sujos. (…) Eu sou trabalhador, sou honesto, sou decente e vou provar a minha inocência”, finalizou.


